Nos
últimos dias, motoristas perceberam que o preço da gasolina comum — que já
havia subido de R$ 5,99 para R$ 6,19 — deu um novo salto e passou a girar em
torno de R$ 6,39 na maioria dos estabelecimentos. O detalhe que chama
atenção não é apenas o aumento, mas a impressionante uniformidade dos valores.
Seria
o mercado funcionando perfeitamente… ou perfeitamente combinado? Seria cartel? São cerca de 16 postos de combustíveis com tamanha coincidência.
Oficialmente,
os reajustes são frequentemente explicados pelo comportamento do mercado
internacional de petróleo. O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de
Petróleo de Pernambuco afirma que o Nordeste depende de apenas cerca de 30% a
35% do combustível produzido pela Petrobras, enquanto a maior parte — entre 60%
e 65% — vem de importadoras ou refinarias privadas que seguem os preços
internacionais.
Ou
seja: se o barril sobe lá fora, o impacto chega aqui.
O
que intriga consumidores, porém, é a velocidade com que esse impacto aparece
nas bombas — muitas vezes antes mesmo de qualquer alteração oficial nas
refinarias. O que não acontece ao contrário, quando o preço cai.
Na
capital pernambucana, a situação não é muito diferente. Levantamento mais
recente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis
apontava, entre 1º e 7 de março, preço médio da gasolina comum em R$ 6,66, com
o diesel a R$ 5,79.
Mas
na terça-feira (10), sem novos dados oficiais divulgados pela agência, alguns
postos da Região Metropolitana do Recife já operavam com gasolina próxima de R$
7, variando entre R$ 7,45 e R$ 7,49, enquanto o diesel oscilava entre R$ 6,79 e
R$ 7,19.
Tudo
isso sem qualquer anúncio recente de reajuste pela Petrobras.
A
situação chamou atenção até em nível nacional. A Secretaria Nacional do
Consumidor solicitou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que
investigue os aumentos registrados no país, justamente porque eles ocorreram sem
alteração oficial nos preços da Petrobras, principal fornecedora nacional.
A
pergunta que fica é simples: se o preço não subiu na origem, por que subiu tão
rápido na bomba?
Em
Arcoverde, um detalhe chamou ainda mais atenção dos consumidores. O posto que
apresentou um dos maiores reajustes foi justamente o Posto Petrobras
Cruzeiro IV, onde a gasolina aditivada chegou a R$ 6,54; a comum
coincidentemente está a R$ 6,39
A
ironia não passou despercebida por motoristas: mesmo ostentando a marca da
Petrobras — empresa que não anunciou aumento — o posto aparece entre os que
mais reajustaram os valores.
Enquanto
especialistas discutem geopolítica, importação de combustíveis e variação do
barril internacional, o motorista arcoverdense continua vivendo a realidade
mais simples e direta possível: abastecer ficou mais caro novamente.
E
a dúvida permanece no ar:
- A
guerra no Oriente Médio chegou mais rápido aos postos do Sertão do que às
refinarias?
- Ou
estamos diante de mais um episódio da velha e conhecida “sintonia” entre
bombas?
Perguntas
que, por enquanto, continuam sem resposta — mas que certamente merecem atenção
das autoridades e dos órgãos de fiscalização.
Porque,
no fim das contas, quem paga essa conta…
não está no Oriente Médio. Está aqui mesmo, na bomba. ⛽


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