quarta-feira, 11 de março de 2026

Possível aliança com João Campos provoca tensão no PP e ameaça provocar debandada

             As articulações políticas para as eleições estaduais em Pernambuco começam a provocar fortes abalos dentro de uma das legendas que mais cresceram nos últimos meses no cenário político estadual. O Progressistas (PP), que se preparava para alcançar a maior bancada na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), vive um momento de instabilidade interna diante das especulações sobre o futuro político do deputado federal Eduardo da Fonte.

Nos bastidores, circula a informação de que o parlamentar, que preside o partido no estado, estaria articulando sua candidatura ao Senado em uma eventual chapa liderada pelo prefeito do Recife, João Campos. A possibilidade, porém, tem provocado reações imediatas dentro da própria legenda.

A expectativa inicial do partido era encerrar a janela partidária, prevista para abril, com uma bancada de até 11 deputados estaduais, consolidando-se como a maior força política no Legislativo pernambucano. Entretanto, o cenário pode mudar drasticamente caso as especulações se confirmem.

De acordo com relatos de parlamentares ouvidos nos últimos dias, pelo menos quatro deputados estaduais já indicaram que poderão deixar o partido caso Eduardo da Fonte confirme apoio a uma chapa adversária à da governadora Raquel Lyra.

Outros dois parlamentares ainda avaliam a situação, mas também não descartam uma possível saída.

Um dos deputados, que preferiu não se identificar, argumentou ao Blog Dellas, da jornalista Terezinha Nunes, que uma mudança de posicionamento político neste momento poderia comprometer sua base eleitoral.

“Todos os prefeitos que me apoiam estão com Raquel. Como eu poderia, a esta altura, mudar de candidato? Isso seria correr o risco de perder a eleição”, afirmou.

A crise interna pode ainda impactar a estratégia de expansão da legenda. Deputados que negociavam ingresso no partido já demonstram cautela diante das incertezas.

Um dos casos é o do deputado estadual France Hacker, que se prepara para deixar o Partido Socialista Brasileiro (PSB). A expectativa era que ele se filiasse ao Progressistas ainda neste mês, mas a decisão agora foi adiada.

Segundo o parlamentar, qualquer definição sobre seu futuro político deverá ocorrer apenas após meados do mês. Hacker é considerado uma liderança influente na Zona da Mata Sul e tem forte alinhamento com a governadora Raquel Lyra.

Outro fator que tem ampliado a tensão entre os deputados estaduais do PP é a dificuldade de contato com Eduardo da Fonte nos últimos dias. Parlamentares da legenda afirmam que não conseguem falar diretamente com o presidente do partido no estado há mais de uma semana.

Segundo relatos, até mesmo para tentar agendar reuniões, alguns deputados têm recorrido ao deputado federal Lula da Fonte, filho de Eduardo da Fonte.

A atual crise política dentro do Progressistas ganhou força após declarações do próprio Eduardo da Fonte defendendo a formação de uma chapa ao Senado que incluísse o senador Humberto Costa.

Na ocasião, ele chegou a defender a possibilidade de uma aproximação política entre o governo estadual e o Partido dos Trabalhadores, argumentando que uma composição com Humberto Costa poderia ampliar o alcance eleitoral, somando votos de diferentes espectros políticos.

Posteriormente, surgiram informações nos bastidores de que João Campos teria comunicado a dirigentes do PT, tanto no Recife quanto em Brasília, a intenção de incluir Eduardo da Fonte como um dos nomes ao Senado em sua eventual chapa majoritária.

Enquanto não há confirmação oficial, o ambiente dentro do Progressistas segue marcado por incertezas, especulações e um clima de expectativa sobre os próximos movimentos do comando partidário. 

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