sexta-feira, 13 de março de 2026

Casal é preso suspeito de esquema bilionário de fraudes fiscais no setor de carnes em Pernambuco

             Uma operação conjunta de órgãos estaduais resultou na prisão de um casal suspeito de comandar um sofisticado esquema de fraudes fiscais e criação de empresas de fachada no setor de carnes em Pernambuco, que teria movimentado mais de R$ 1 bilhão em notas fiscais ao longo de aproximadamente uma década. A ação policial foi deflagrada na quinta-feira (12) e também cumpriu 12 mandados de busca e apreensão em diferentes locais ligados ao grupo investigado.

A investigação é conduzida pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Pernambuco, uma força-tarefa que reúne representantes do Ministério Público de Pernambuco, da Secretaria da Fazenda de Pernambuco, da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco e da Procuradoria Geral do Estado de Pernambuco.

De acordo com as autoridades, o esquema começou a ser identificado ainda em 2022, após auditorias de rotina revelarem um volume atípico de emissão de notas fiscais por empresas ligadas ao comércio de carnes. O número elevado de documentos fiscais levantou suspeitas e levou à abertura de uma investigação aprofundada.

Segundo o diretor de Operações Estratégicas da Secretaria da Fazenda de Pernambuco, Emery Lopes, a análise revelou uma estrutura baseada em empresas sem capacidade real de operação, utilizadas apenas para gerar documentos fiscais.

Durante a apuração, os investigadores identificaram sócios fictícios, conhecidos como “laranjas”, que figuravam formalmente como responsáveis pelos empreendimentos.

“Descobrimos casos de sócios que recebem Bolsa Família. Vários estabelecimentos não condiziam com a capacidade operacional para o volume de mercadorias negociado. Alguns sequer tinham câmara fria e funcionavam em pequenas salas comerciais”, explicou o diretor.

Mesmo sem estrutura compatível com a atividade declarada, as empresas movimentavam um volume bilionário em notas fiscais, o que reforçou as suspeitas de fraude fiscal estruturada.

As investigações apontam que pelo menos 45 empresas estariam ligadas ao grupo. Como resultado das irregularidades identificadas, já foram emitidos 143 autos de infração, e o prejuízo estimado aos cofres públicos ultrapassa R$ 145 milhões.

O promotor Carlos Eugênio do Rêgo Barros, integrante do CIRA-PE, explicou que o grupo operava há cerca de dez anos, criando empresas que em muitos casos compartilhavam o mesmo endereço.

“Eles constituíam empresas de fachada. Algumas até existiam formalmente, mas não tinham capacidade de transacionar o volume de notas fiscais emitidas. A maioria utilizava o mesmo endereço para gerar documentos fiscais”, afirmou.

Outro aspecto revelado pelas investigações foi a utilização de pessoas de baixa renda e pouca instrução como responsáveis formais pelas empresas fraudulentas.

Segundo o promotor, alguns desses indivíduos eram ex-funcionários do próprio grupo investigado, recrutados para atuar como “testas de ferro” na estrutura empresarial fictícia.

“Havia inclusive açougueiros e trabalhadores com pouca renda sendo colocados como sócios das empresas”, destacou o representante do Ministério Público.

As autoridades continuam analisando documentos e materiais apreendidos durante a operação, e novas medidas judiciais não estão descartadas à medida que o esquema é aprofundado. 

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