sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Polícia Civil de PE admite inexistência de base legal para operação de inteligência que monitorou aliados de João Campos

            A Polícia Civil de Pernambuco reconheceu oficialmente que não houve qualquer procedimento legal ou administrativo que sustentasse a chamada “Nova Missão”, operação de inteligência que resultou no monitoramento de aliados do prefeito do Recife, João Campos (PSB). A confirmação consta em ofício encaminhado ao escritório Lacerda e Trindade Advogados Associados e foi revelada em reportagem do jornal O Globo.

No documento, a corporação admite que não houve registro de boletim de ocorrência, nem abertura de Verificação Preliminar de Informação (VPI), tampouco designação formal de delegado ou agentes responsáveis pela ação. Também não foi instaurado qualquer procedimento administrativo ou investigação criminal relacionada ao caso.

Assinado pelo delegado-geral da Polícia Civil de Pernambuco, Felipe Monteiro Costa, o ofício reconhece ainda que a suposta operação não gerou números no Sistema Eletrônico de Informações (SEI), não foi comunicada ao Poder Judiciário e não resultou na produção de autos, relatórios técnicos ou documentos oficiais que descrevessem os objetivos ou fundamentos da ação.

Segundo o texto, a chamada “missão de inteligência” foi encerrada sem a constatação de ilícitos, motivo pelo qual não houve relatório final nem formalização de peças de convicção — procedimento que normalmente integra ações dessa natureza quando há indícios mínimos de irregularidade.

O caso veio a público após reportagem da TV Record revelar que, em setembro do ano passado, agentes da Polícia Civil teriam seguido o veículo do secretário de Articulação Política e Social do Recife, Gustavo Monteiro, além de seu irmão, Eduardo Monteiro. Ainda de acordo com a reportagem, um dispositivo de rastreamento teria sido instalado no automóvel enquanto ele estava estacionado nas proximidades de um supermercado da capital pernambucana.

A revelação levanta questionamentos sobre a legalidade da ação, o uso de estruturas de inteligência do Estado e a ausência de formalização mínima exigida para atividades desse tipo, ampliando o debate público sobre controle institucional, garantias individuais e limites da atuação policial. 

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