quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Política à Mesa: Pesquisa Datafolha inaugura novo capítulo da disputa pelo Governo de Pernambuco em 2026

             A divulgação da primeira rodada da pesquisa Datafolha em Pernambuco, nesta sexta-feira (6), marca mais do que a apresentação de números: inaugura oficialmente o ano eleitoral no estado e estabelece o primeiro grande parâmetro de avaliação do cenário político rumo a 2026. O levantamento surge após um início de ano turbulento, permeado por embates públicos, disputas narrativas intensas e tentativas — frustradas ou incentivadas — de judicialização do debate político.

Registrada no último dia 30 sob o número PE-09595/2026, a pesquisa ouviu 1.022 eleitores em todas as regiões de Pernambuco. A margem de erro máxima é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%, o que confere relevância estatística ao primeiro retrato amplo do ano eleitoral.

No centro desse tabuleiro estão dois protagonistas que concentram atenções, forças políticas e expectativas do eleitorado: o prefeito do Recife, João Campos (PSB), e a governadora Raquel Lyra (PSD), que busca a reeleição. A disputa pelo Palácio do Campo das Princesas ganha contornos ainda mais estratégicos diante de um elemento decisivo: a corrida simbólica e prática pelo alinhamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

João Campos inicia o ciclo eleitoral como favorito. Desde 2024, o socialista vinha sustentando índices elevados nas pesquisas, refletindo forte recall eleitoral e protagonismo político. No entanto, analistas já identificavam sinais de desaceleração, o que torna esta rodada do Datafolha especialmente relevante. A principal expectativa é verificar se o prefeito recifense mantém patamares superiores a 50% das intenções de voto ou se o cenário começa a se desenhar como uma disputa mais equilibrada.

Do lado oposto, Raquel Lyra tenta reverter o quadro com uma estratégia baseada em reorganização política e administrativa. A governadora intensificou sua agenda institucional, reforçou a comunicação do governo e passou a investir com mais ênfase na aproximação com o Palácio do Planalto. O movimento ampliou sua presença no eleitorado de centro e pode representar um divisor de águas caso a pesquisa indique crescimento e redução da diferença em relação ao adversário.

No pano de fundo dessa disputa, episódios sensíveis também influenciam o ambiente político. Denúncias envolvendo a nomeação de concursados na Prefeitura do Recife fora da ordem de classificação, questionamentos sobre benefícios concedidos pelo Governo do Estado a empresas ligadas à família da governadora e o caso da chamada “polícia paralela”, que teria monitorado secretários municipais sem autorização formal, contribuíram para elevar a temperatura do debate público.

Além da corrida pelo Executivo estadual, a pesquisa Datafolha também lança luz sobre outro campo decisivo: a disputa pelo Senado. O desenho dessa eleição será determinante para a formação das chapas majoritárias e pode provocar rearranjos políticos significativos nos próximos meses, com potencial de surpreender tanto lideranças quanto o eleitorado. 

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