A medida pode atingir até 294 faculdades
particulares que mantêm o curso em funcionamento no Brasil. O foco da
iniciativa, segundo o órgão, não é o encerramento imediato de atividades, mas a
elaboração de um diagnóstico técnico e detalhado sobre a qualidade da formação
oferecida.
Para o MPF, possíveis deficiências na formação
médica extrapolam o ambiente acadêmico. Eventuais falhas podem representar
violação de direitos coletivos, especialmente no que se refere ao direito
constitucional à saúde e à educação de qualidade.
A ofensiva ganhou impulso após debates travados no
âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF) acerca da política de expansão de
cursos médicos no país. Também pesaram na decisão dados recentes divulgados
pelo Ministério da Educação (MEC), além de estudos acadêmicos e manifestações
de conselhos profissionais da área da saúde.
Os procuradores foram orientados a adotar uma
estratégia dupla de fiscalização. De um lado, será realizada análise minuciosa
da documentação institucional, com base nos parâmetros regulatórios definidos
pelo MEC. De outro, estão previstas inspeções presenciais nas universidades,
além da aplicação de questionários detalhados.
Entre os principais pontos avaliados estão:
- Qualificação do corpo docente;
- Estrutura e funcionamento das preceptorias;
- Cumprimento da carga horária do internato;
- Infraestrutura de laboratórios e campos de
prática;
- Inserção dos estudantes no Sistema Único de
Saúde (SUS).
O MPF também pretende verificar se as condições
apresentadas nos processos de credenciamento e autorização correspondem à
realidade vivenciada pelos alunos.
Dados preliminares reunidos pelo órgão indicam que 78,4% dos municípios que sediam escolas médicas não dispõem de infraestrutura considerada ideal para garantir formação prática adequada — fator que pode comprometer a qualidade do ensino e, consequentemente, o atendimento à população.
Até o momento, a lista completa das instituições investigadas não foi divulgada. Os procedimentos tramitam de forma individualizada nas unidades do MPF nos estados e podem ser ampliados à medida que as apurações avancem.
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