segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Trump afirma que EUA estão “no comando” da Venezuela após captura de Maduro

             O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a provocar forte repercussão internacional neste domingo (4) ao declarar que Washington estaria “no comando” da Venezuela, após a captura do presidente deposto Nicolás Maduro e o início de negociações com as novas autoridades venezuelanas. As declarações ocorreram em meio a críticas de líderes internacionais e analistas, que questionam o alcance e a legalidade da atuação americana no país sul-americano.

Maduro, acusado nos Estados Unidos por crimes de narcotráfico e terrorismo, foi sequestrado em uma operação na madrugada do sábado (3) e transferido para Nova York, onde permanece preso aguardando apresentação à Justiça nesta segunda-feira (5). Sua esposa, Cilia Flores, também deixou o país.

Questionado por jornalistas a bordo do Air Force One sobre quem estaria efetivamente no controle da Venezuela, Trump foi direto: “Estamos lidando com as pessoas que acabam de tomar posse. Não me perguntem quem está no comando porque vou dar uma resposta muito polêmica”. Em seguida, completou: “Significa que nós estamos no comando”.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, reconhecida oficialmente pelas Forças Armadas do país, afirmou estar disposta a dialogar com os Estados Unidos, defendendo uma relação “equilibrada, respeitosa e baseada na soberania”.

Segundo o governo americano, há disposição para cooperação com setores remanescentes do antigo governo, desde que sejam atendidos interesses estratégicos de Washington, especialmente a abertura ao investimento americano nas vastas reservas de petróleo venezuelanas.

Ao ser questionado se a operação teria motivação econômica ou política, Trump respondeu: “Trata-se da paz na Terra”.

Trump afirmou ainda que as eleições na Venezuela “terão que esperar”. “Vamos governá-la, arrumá-la e realizar eleições no momento certo. O principal agora é consertar um país falido”, declarou.

Em tom ofensivo, o presidente americano também atacou outros líderes regionais. Sem apresentar provas, acusou o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, de envolvimento com o narcotráfico, afirmando que “não o será por muito tempo”. Trump também declarou que o governo comunista de Cuba está prestes a cair e ameaçou o Irã com retaliações caso novas mortes de manifestantes ocorram.

Mais cedo, Trump havia advertido diretamente Delcy Rodríguez, afirmando que a presidente interina deveria colaborar com os Estados Unidos para não “pagar um preço muito alto”.

Do exílio na Espanha, o opositor Edmundo González Urrutia classificou a captura de Maduro como “um passo importante” rumo à normalização da Venezuela, mas ressaltou que a medida “não é suficiente”.

González pediu o respeito aos resultados das eleições de 2024, que afirma ter vencido, além da libertação imediata de todos os presos políticos, como condição para uma “transição verdadeiramente democrática”.

Enquanto isso, Delcy Rodríguez realizou neste domingo seu primeiro conselho de ministros como presidente interina e anunciou a criação de uma comissão de alto nível para atuar pela libertação de Maduro e de Cilia Flores.

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