quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Toffoli manda provas da Operação Compliance Zero para o STF e decisão causa estranhamento entre investigadores

                 A mais recente fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (14) pela Polícia Federal para apurar fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, ganhou um capítulo no mínimo incomum. Em decisão assinada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi determinada a remoção imediata de todos os bens, documentos e materiais apreendidos durante a operação para serem lacrados e armazenados diretamente na sede da Suprema Corte.

A medida, rara em investigações criminais, chamou atenção — e causou estranhamento dentro da própria Polícia Federal. Tradicionalmente, materiais apreendidos permanecem sob custódia da PF ou do juízo responsável, sendo periciados e analisados no curso das investigações. Desta vez, porém, o destino das provas será o prédio do STF.

Agentes da Polícia Federal cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e a parentes próximos, incluindo pai, irmã e cunhado, em São Paulo. A operação também teve como alvos o empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora Reag Investimentos.

Apesar de ter autorizado a operação, o próprio ministro Dias Toffoli registrou, em seu despacho, críticas à atuação da Polícia Federal, alegando demora e falta de empenho no cumprimento de determinações judiciais anteriores. Ainda assim, foi além do protocolo ao ordenar que todo o material apreendido fosse retirado da esfera da PF.

“Determino que todos os bens e materiais apreendidos (…) deverão ser lacrados e acautelados diretamente na sede do Supremo Tribunal Federal, até ulterior determinação”, escreveu Toffoli.

Nos bastidores da investigação, a decisão provocou surpresa. Investigadores ouvidos reservadamente apontam que o encaminhamento das provas ao STF não é comum, especialmente em fases iniciais de apuração, quando análises técnicas, perícias e cruzamentos de dados ainda estão em andamento.

O episódio adiciona um novo elemento de controvérsia à operação e reacende o debate sobre interferências, centralização de provas e o papel do Supremo em investigações criminais conduzidas pela Polícia Federal. Enquanto isso, o material que poderia avançar rapidamente nas apurações seguirá guardado — agora, sob a guarda direta da mais alta Corte do país. Abaixo, algumas das "coisinhas" apreendidas na operação desta quarta-feira.

👉 Acompanhe mais notícias e curta nossas redes sociais:

📸 Instagram   👍 Facebook

Nenhum comentário:

Postar um comentário