segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Promotores do Gaeco pedem exoneração após MP-MA defender soltura de prefeito e vereadores

             A manifestação do Ministério Público do Maranhão (MP-MA) favorável à soltura do prefeito de Turilândia, Paulo Curió (União Brasil), da vice-prefeita Tânya Mendes (PRD), de 11 vereadores e de outros investigados em um esquema que teria desviado ao menos R$ 56 milhões dos cofres públicos desencadeou uma grave crise interna na instituição. Em protesto, os promotores que integram o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) pediram exoneração coletiva de suas funções.

O pedido foi formalizado no domingo e encaminhado ao procurador-geral de Justiça, Danilo José de Castro Ferreira, após a Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ), por meio do chefe do MP em exercício, Orfileno Bezerra Neto, emitir parecer favorável à revogação das prisões preventivas decretadas no âmbito da Operação Tântalo II.

A operação investiga a atuação de uma organização criminosa que, segundo o próprio Ministério Público, teria se instalado de forma sistemática na Prefeitura e na Câmara Municipal de Turilândia, no interior do Maranhão. De acordo com as apurações, o grupo atuava na fraude de licitações, uso de empresas de fachada e desvio de recursos públicos, principalmente nas áreas de Saúde e Assistência Social.

No documento encaminhado à chefia do MP, os promotores do Gaeco afirmam que o posicionamento da PGJ contraria o entendimento técnico da equipe responsável pela investigação e desconsidera o conjunto probatório reunido ao longo do processo. As apurações resultaram na prisão não apenas do prefeito e da vice-prefeita, mas também da primeira-dama, da ex-vice-prefeita, de empresários, servidores públicos e de todos os vereadores do município.

O caso ganhou repercussão nacional após ser exibido em reportagem do programa Fantástico, da TV Globo, ampliando o debate sobre corrupção institucionalizada, autonomia funcional do Ministério Público e os limites da atuação administrativa frente ao trabalho técnico das forças de investigação.

A exoneração coletiva dos promotores do Gaeco aprofunda a crise interna no MP-MA e levanta questionamentos sobre os impactos da decisão no andamento das investigações e na confiança da sociedade nas instituições de combate à corrupção. 

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