A
investigação é conduzida pelo promotor de Justiça Bruno Gottardi e tem origem
em denúncia apresentada em 17 de abril de 2023 pela então vereadora Magda Alves,
que apontou possível sobrepreço na aquisição dos livros fornecidos aos
estudantes da rede municipal.
O
inquérito concentra-se em contratos firmados em 2022 com as empresas Becbooks
Soluções Educacionais Ltda e Editora Terra do Saber Ltda, responsáveis pelo
fornecimento do material paradidático. Segundo o MPPE, a nova apuração
complementa investigações já em andamento, incluindo um Inquérito Civil
instaurado em abril de 2024 e procedimentos conduzidos pelo Ministério Público
Federal (MPF).
Como
parte das diligências, o MPPE requisitou à Prefeitura de Garanhuns e à Secretaria
Municipal de Educação o envio integral do processo licitatório, incluindo
editais, anexos, propostas comerciais, atas, homologações, contratos e comprovantes
de pagamento.
A
documentação será submetida a uma análise contábil detalhada, com o objetivo de
comparar os valores pagos pelo Município com os preços praticados no mercado à
época das aquisições. A apuração também avaliará a regularidade fiscal e
trabalhista das empresas contratadas, além da compatibilidade entre notas
fiscais, empenhos e comprovantes de entrega dos livros.
Na
denúncia que deu origem às investigações, Magda Alves apontou diferenças
expressivas entre os preços pagos pela Prefeitura e os valores encontrados no
varejo online. Um dos exemplos citados foi o livro “A Arca de Noé”, adquirido
pelo Município ao custo unitário de R$ 54,60, enquanto o mesmo título era
comercializado por cerca de R$ 29,80 em plataformas digitais.
Segundo
a ex-vereadora, a Prefeitura previa a compra de 1.172 exemplares desse título
específico e mais de 130 mil livros no total, o que, em caso de sobrepreço,
poderia representar impacto significativo aos cofres públicos.
De
acordo com informações do MPF, do montante total contratado — R$ 7.543.788,02 —
a Secretaria Municipal de Educação já teria efetuado pagamentos que somam R$
3.315.491,94 às duas empresas investigadas. O caso segue em apuração e poderá
resultar em responsabilizações administrativas e judiciais, caso as
irregularidades sejam confirmadas.
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