O
pano de fundo da movimentação é o desgaste público enfrentado pelo STF após os
desdobramentos do inquérito que investiga o Banco Master, sob relatoria do
ministro Dias Toffoli. O caso provocou uma rara situação de atrito
institucional envolvendo o Supremo, a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral
da República (PGR), ampliando críticas no meio jurídico e político.
Fachin
havia repassado interinamente a presidência ao vice, ministro Alexandre de
Moraes, mas decidiu reassumir o protagonismo para buscar uma solução
institucional capaz de reduzir os impactos à imagem da Corte e reorganizar a
condução do caso. O objetivo central é administrar o impasse gerado por
decisões consideradas atípicas e pela centralização das investigações no STF.
Nesta
terça-feira (20), o presidente do Supremo cumpre agenda em São Luís, no
Maranhão, onde se reúne pessoalmente com o ministro Flávio Dino. A escolha pelo
encontro presencial ocorreu em razão de um compromisso familiar de Dino, cujo
filho passará por um procedimento cirúrgico, impossibilitando seu deslocamento.
Paralelamente,
o procurador-geral da República, Paulo Gonet, recebeu ao menos quatro
representações de parlamentares solicitando que a PGR avalie a suspeição de
Dias Toffoli como relator do inquérito. Apesar da pressão, a história recente
do tribunal mostra resistência a esse tipo de medida: nos últimos 26 anos, o
STF não acolheu nenhum pedido de afastamento de um de seus ministros por
suspeição.
O
foco das preocupações da Presidência do STF recai sobre a forma de condução do
inquérito. Entre os pontos mais criticados estão a decisão de Toffoli de avocar
para o Supremo todas as investigações relacionadas ao Banco Master, inclusive
aquelas que tramitavam na primeira instância e não envolviam autoridades com
foro privilegiado.
Além
disso, o relator impôs alto grau de sigilo, restringindo o acesso a atos
processuais nos sistemas públicos de consulta, o que acentuou o desconforto
entre investigadores e juristas.
O
mal-estar ganhou contornos públicos no último sábado (17), quando a Associação
Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) divulgou nota oficial
classificando a situação como “atípica”. A entidade denunciou o que considera afronta
às prerrogativas da PF, citando interferências diretas no planejamento
investigativo, como prazos exíguos para diligências, acareações fora dos
padrões usuais e até a escolha nominal de peritos pelo magistrado.
A
crise amplia o desafio de Fachin na reta final de sua gestão à frente do STF,
exigindo articulação política, diálogo institucional e decisões que preservem a
credibilidade da Corte.
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