terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Em ano eleitoral, presidente do TCE-PE reforça neutralidade institucional e descarta uso político das decisões

              Em meio a um ano marcado por disputas eleitorais e aumento da atenção sobre os órgãos de controle, o presidente do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), Carlos Neves, fez questão de reafirmar o papel técnico e institucional da Corte. Em entrevista concedida na segunda-feira (19) à Rádio Folha 96,7 FM, o dirigente destacou que o tribunal não atua como instrumento político, tampouco se posiciona como aliado ou adversário de gestores públicos.

“Eu digo com muita tranquilidade que a gente não é oposição nem situação, porque a gente tenta colaborar com a gestão de todos os prefeitos e da governadora”, afirmou Carlos Neves, ao enfatizar que a missão constitucional do TCE-PE é orientar, fiscalizar e contribuir para a boa gestão dos recursos públicos.

A declaração reforça a linha adotada pelo presidente desde seu discurso de posse, realizado no último dia 15, quando já havia sinalizado o compromisso com a independência técnica e a atuação colegiada do órgão. Segundo Neves, a estrutura do Tribunal de Contas impede qualquer tentativa de uso político das decisões, uma vez que os processos passam por diversas instâncias internas antes de qualquer deliberação final.

De acordo com o presidente, não existe espaço para decisões isoladas ou “canetadas” individuais que possam beneficiar ou prejudicar gestores. “A gente tem uma estrutura no tribunal, do ponto de vista constitucional, que impede qualquer tipo de utilização política do tribunal. Não tem processo que passe só por um conselheiro para que ele faça um ato contra alguém ou a favor de alguém”, explicou.

Carlos Neves também detalhou o funcionamento da fiscalização das contas públicas, ressaltando o papel central dos auditores de controle externo, que integram uma carreira própria e possuem autonomia constitucional. Esses profissionais atuam com base em uma matriz de risco e em um plano anual de fiscalização, instrumentos técnicos que definem as prioridades do Tribunal.

“O trabalho dos auditores não sofre interferência da presidência. Eu sou presidente do tribunal e não interfiro nessa matriz de risco”, frisou Neves, ao destacar que a atuação técnica é um dos pilares que garantem a credibilidade do TCE-PE, especialmente em períodos de maior tensão política. 

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