Segundo
a reportagem, agentes teriam acompanhado os deslocamentos do secretário e
chegado ao ponto de instalar um rastreador em um veículo oficial da Prefeitura
do Recife, também utilizado por Eduardo Monteiro, irmão do secretário. Tudo
isso, conforme a própria Secretaria de Defesa Social (SDS-PE), a partir de uma denúncia
anônima — instrumento que, segundo a Justiça, não autoriza a abertura de
inquérito.
Em
coletiva de imprensa nesta segunda-feira (26), o secretário de Defesa Social, Alessandro
de Carvalho, tratou de afastar qualquer suspeita de espionagem. Classificou o
caso como uma “narrativa falsa” e explicou que a Polícia Civil apenas realizou
uma “apuração preliminar” após denúncia anônima sobre suposto pagamento de
percentuais relacionados a um contrato, envolvendo um encontro em um
estacionamento de shopping.
O
detalhe é que o próprio secretário admitiu que não havia justa causa para
abertura de inquérito, razão pela qual teria sido criado um “grupo de trabalho”
para investigar. Uma solução criativa: se não pode investigar oficialmente,
cria-se um grupo informal — com direito a monitoramento, vigilância e
rastreamento veicular.
“A Justiça já determinou que não pode abrir inquérito a
partir de denúncia anônima. Não havia justa causa para abrir”, disse Alessandro de Carvalho, antes
de justificar a atuação alternativa da corporação.
À
TV Record, Gustavo Monteiro reagiu com indignação e acusou o uso indevido da
máquina pública. “É um absurdo usar a força policial para perseguir a
oposição no estado de Pernambuco”, afirmou.
Apesar
disso, o secretário de Defesa Social garantiu que não houve motivação política.
Segundo ele, o verdadeiro problema foi o vazamento das conversas internas do
grupo de trabalho para um jornalista — algo que, ironicamente, passou a
preocupar mais do que a existência do próprio grupo.
A
SDS informou que investiga se o vazamento teria ligação com um policial
afastado, flagrado em encontro com o presidente da Câmara de Vereadores de
Ipojuca, Flávio do Cartório (PSD), suspeito de envolvimento em irregularidades
com emendas parlamentares. “Provavelmente estaria passando informações
para uma organização criminosa”, disse Alessandro.
A
Prefeitura do Recife reagiu com dureza e classificou o episódio como perseguição
política, repudiando o que chamou de uso indevido das forças policiais do
Estado.
Confira
abaixo a nota na íntegra:
Nota
Oficial – Prefeitura do Recife
A
Prefeitura da Cidade do Recife repudia qualquer tentativa de uso indevido das
forças policiais de Pernambuco para perseguição política.
A
Polícia Civil de Pernambuco é uma instituição séria e respeitada, não
existindo, até hoje, registro desse tipo de tentativa de uso eleitoral nos mais
de dois séculos de sua existência.
Essa
atitude caracteriza uma conduta ilegal, inconstitucional e imoral, nunca vista
em nosso Estado, e a Prefeitura não poupará esforços para defender seus
servidores desse tipo de ataque, utilizando as esferas administrativas e
judiciais cabíveis.
O
caso segue repercutindo e levanta questionamentos sobre limites da atuação
policial, respeito às garantias constitucionais e o uso — ou abuso — de
instrumentos de investigação fora dos trilhos legais.
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