Segundo
nota oficial divulgada pelo Palácio do Planalto, Lula e Trump abordaram a
situação na Venezuela, ressaltando a importância de preservar a paz e a
estabilidade na região, ao mesmo tempo em que enfatizaram o bem-estar do povo
venezuelano diante dos recentes acontecimentos no país vizinho.
Durante
a ligação, os dois mandatários acertaram uma visita oficial do presidente
brasileiro a Washington, agendada para ocorrer nos próximos meses, depois das
viagens programadas de Lula à Índia e à Coreia do Sul em fevereiro. A data
exata ainda será pactuada pelos dois governos.
A
conversa incluiu ainda temas como cooperação econômica, o combate ao crime
organizado e uma iniciativa multilaterial proposta pelo governo americano
batizada de “Conselho da Paz” — um fórum que Trump apresentou para discutir
questões humanitárias e de reconstrução. Nessa pauta, Lula defendeu que o grupo
seja focado prioritariamente na situação da Faixa de Gaza e inclua um assento
representativo para a Palestina, sinalizando, porém, que não há uma confirmação
formal de participação brasileira.
A
conversa ocorre poucos dias após declarações firmes do presidente brasileiro
criticando a ofensiva militar norte-americana na Venezuela e a detenção de
Nicolás Maduro em território dos Estados Unidos — movimentações que foram
amplamente debatidas pela comunidade internacional e vistas por Brasília como
uma violação da ordem internacional baseada na Carta das Nações Unidas.
Nesse
sentido, Lula aproveitou o diálogo com Trump para reafirmar um antigo pleito
brasileiro: a necessidade de uma reforma abrangente do Conselho de Segurança da
ONU, propondo uma ampliação de seus membros permanentes para refletir melhor o
peso político e econômico atual de países como Brasil, Índia e outros do Sul
Global.
Apesar
das diferenças nas abordagens sobre a crise venezuelana e a criação de fóruns
paralelos às Nações Unidas, o tom do diálogo entre os dois líderes refletiu um
pragmatismo diplomático. A expectativa é que a visita de Lula a Washington
reforce canais institucionais de interlocução, ao mesmo tempo em que prepara o
terreno para tratar de temas sensíveis da agenda global — como segurança
regional, comércio internacional e cooperação multilateral.


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