De
acordo com dados oficiais divulgados neste mês pelo próprio governo, 88
mulheres foram assassinadas em Pernambuco no ano passado, um crescimento de 15,8%
em relação a 2024, quando foram registrados 76 casos. Para Álvaro Porto, o
aumento não é um fenômeno isolado, mas o reflexo direto de uma política pública
que, segundo ele, vem sendo marcada pela inoperância e ineficiência, problemas
que já teriam sido denunciados reiteradamente pela Alepe.
“Este crescimento acontece a partir de um contexto de
inoperância e ineficiência que vem sendo denunciado pela Assembleia há anos”, afirmou o parlamentar.
Somente
em 2025, Álvaro Porto realizou quatro pronunciamentos oficiais no plenário da
Alepe cobrando do Executivo estadual mais eficiência, melhores condições de
trabalho para os profissionais da segurança pública e, sobretudo, maior
comprometimento no enfrentamento à violência contra as mulheres.
O
deputado chama atenção para a estrutura limitada de atendimento especializado
no estado. Apesar de Pernambuco contar com 184 municípios, existem apenas 15
Delegacias da Mulher, das quais somente sete funcionam em regime de 24 horas.
Segundo Porto, esse cenário contribui para a fragilização da rede de proteção
às vítimas.
“A estrutura posta em funcionamento pelo governo confirma
e colabora para a perpetuação da ineficácia”, destacou.
Álvaro
Porto ressalta ainda que a situação contraria a Lei Federal nº 14.541/2023, que
determina o funcionamento ininterrupto das Delegacias da Mulher, inclusive nos
finais de semana — período em que, segundo estudos e estatísticas, há aumento
dos casos de violência doméstica.
“A inexistência de plantão contínuo gera demora no
atendimento, fragilidade na concessão de medidas protetivas e subnotificação de
crimes graves”,
observou.
Para o presidente da Alepe, o cenário se torna ainda mais preocupante pelo fato de Pernambuco ser atualmente governado por duas mulheres, o que, segundo ele, deveria reforçar a prioridade no enfrentamento à violência de gênero. Apesar dos anúncios oficiais de investimentos e avanços na área da Segurança Pública, o parlamentar afirma que o que se observa na prática é uma escalada da insegurança, especialmente para as mulheres pernambucanas.
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