O
fenômeno não é novo, mas ganhou escala. A cada rolagem de feed no Instagram, no
X (antigo Twitter) ou no Facebook, surgem conteúdos com a mesma narrativa, o
mesmo enquadramento e, muitas vezes, as mesmas palavras. Posts que enaltecem
ações do governo estadual convivem com ataques diretos ou indiretos ao prefeito
da capital, quase sempre em tom irônico, agressivo ou desqualificador. O
chamado “exército digital” não atua por acaso — opera de forma coordenada, com
pauta definida e objetivos estratégicos.
A
disputa política migrou definitivamente para o campo algorítmico. Likes,
compartilhamentos e reels bem editados passaram a ter peso semelhante — ou até
maior — do que discursos institucionais. A governadora, pressionada por uma
relação tensa com o Legislativo e por desafios administrativos, encontrou nas
redes uma trincheira segura, onde o contraditório é combatido com volume,
repetição e engajamento patrocinado.
Do
outro lado do ringue está João Campos, jovem, popular, com forte apelo digital
orgânico e herdeiro de uma tradição política que sabe dialogar com as massas.
Prefeito de uma capital estratégica, ele também domina a linguagem das redes,
mas, até aqui, aposta mais na comunicação institucional, na estética leve e na
construção de imagem do que no confronto direto. Ainda assim, começa a sentir
os efeitos do bombardeio virtual que tenta associar sua imagem a rótulos e
fragilidades.
O
embate revela uma mudança profunda na lógica eleitoral: não basta governar, é
preciso narrar. E, mais do que isso, é preciso ocupar espaço, sufocar o
adversário e pautar o debate público antes que ele aconteça de forma
espontânea. A guerra é silenciosa, diária e muitas vezes invisível para quem
não acompanha os bastidores da política digital.
Resta
saber até que ponto essa estratégia será eficaz. O eleitor pernambucano, cada
vez mais atento e desconfiado, começa a perceber quando a informação vira
propaganda e quando a crítica se transforma em ataque coordenado. A saturação
pode gerar efeito reverso, e o excesso de barulho nem sempre se converte em
voto.
No
fim das contas, 2026 não será decidido apenas nas urnas, mas nas timelines. A
pergunta que fica — e que já ecoa nos corredores do poder — é direta e
inevitável: qual exército digital vai vencer essa guerra?
GIRO
DE NOTÍCIAS:
Saúde da coluna -
Eleições 2026
As eleições gerais de 2026 e os principais aspectos da
legislação eleitoral estarão em destaque nesta terça-feira, 13 de janeiro,
durante entrevista no programa Manhã Viva, da Rádio Agnus Dei. O convidado é o
advogado Pedro Melchior, procurador adjunto da prefeitura de Arcoverde e
integrante da banca Barros Advogados Associados, que será entrevistado pelo
jornalista Tiago Felipe, a partir das 11h. Em pauta, o que determina a
legislação eleitoral, as principais mudanças previstas, além do calendário
oficial das eleições gerais de 2026.
Reencontro de amigos - Nos próximos dias, Petrolina, no
sertão de Pernambuco, será palco de um encontro que promete marcar um novo
capítulo na política local. Fernando Bezerra Coelho e Júlio Lóssio, que têm uma
história de rivalidade, se reunirão para uma conversa que vai além das disputas
políticas. Um importante articulador político do grupo Coelho, que também já
fez parte da equipe de Lóssio, confirmou que o foco do encontro não será a
política, mas sim a reconciliação entre os dois. Júlio Lóssio já foi prefeito
de Petrolina em dois mandatos e atualmente enfrenta um câncer. Disse que é a
amizade que realmente importa.
“Se queres prever o futuro, estuda o
passado”. (Confúcio)







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