terça-feira, 13 de maio de 2025

Montagem do São João de Arcoverde começa com debates sobre meio-ambiente

Desmatamento na Estação da Cultura para montagem do palco do evento gera críticas e mobiliza ativistas ambientais. Prefeitura promete diálogo e reafirma compromisso com a arborização.

O São João de Arcoverde, um dos mais esperados do Sertão pernambucano, ainda nem começou oficialmente, mas já está dando o que falar — e não é pelo som do forró. A montagem da estrutura da festa gerou polêmica nas redes sociais após um vídeo denunciar a retirada de vegetação na área da Estação da Cultura, localizada em frente à academia Selfit, onde será instalado o palco principal do evento.

No vídeo, um membro do Grupo Trilhas do Portal PE lamenta o desmatamento realizado por máquinas e operários, apontando que a terraplanagem colocou em risco árvores de médio e grande porte e eliminou a vegetação rasteira do local. O ativista cobrou maior escuta do poder público e mais diálogo com entidades ligadas à preservação ambiental.

 Poucas horas após a repercussão do vídeo, a secretária de Turismo, Esportes e Eventos de Arcoverde, Nerianny Cavalcanti — que também coordena o Comitê de Eventos da Prefeitura — reuniu-se com representantes do coletivo Refloresta Arcoverde. A Secretária reafirmou compromissos com o meio-ambiente:

“Nós estamos com nosso compromisso com a arborização de Arcoverde. Nós vamos fazer muito mais”.

Segundo o grupo Refloresta, a reunião tratou da “realocação de ipês plantados anteriormente pelo movimento, da proteção do parque verde durante todas as etapas do evento e de possíveis avanços em ações de educação ambiental”, embora sem detalhamento público dessas medidas.

Mesmo com a tentativa de diálogo, as críticas continuaram. O arquiteto e urbanista Aldaires Nunes questionou nas redes sociais:

“Compromisso com a arborização da cidade? Destruindo o pouco que tem de verde como vimos há dias atrás? Ouçam o que o coletivo Refloresta Arcoverde tem a apresentar. Eles têm ideias interessantes e que vão contribuir muito com Arcoverde.”

Por outro lado, vozes também surgiram em defesa do evento. A profissional liberal Emanuela Barbosa ponderou sobre os impactos positivos da festa para a economia e o turismo local:

“Às vezes, é preciso olhar além do desconforto momentâneo e considerar o impacto positivo que certas mudanças podem trazer a longo prazo para toda a comunidade. Eventos como o São João movimentam intensamente a economia da cidade — hotéis, restaurantes, ambulantes e o comércio local em geral se beneficiam significativamente.”

A polêmica expõe um desafio recorrente em cidades de médio porte: como conciliar a preservação ambiental com o crescimento das atividades culturais e econômicas? Em Arcoverde, onde o São João se tornou vitrine para artistas locais e polo de atração turística regional, o debate agora vai além da festa: trata da identidade urbana, da sustentabilidade e do futuro dos espaços públicos da cidade.

Enquanto a poeira baixa na Estação da Cultura, a sociedade civil, os ambientalistas e o poder público seguem em rota de negociação — tentando encontrar um ponto de equilíbrio entre o verde das árvores e o brilho das luzes do palco. 

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