Desmatamento na Estação da
Cultura para montagem do palco do evento gera críticas e mobiliza ativistas
ambientais. Prefeitura promete diálogo e reafirma compromisso com a
arborização.
O São João de Arcoverde, um
dos mais esperados do Sertão pernambucano, ainda nem começou oficialmente, mas
já está dando o que falar — e não é pelo som do forró. A montagem da estrutura
da festa gerou polêmica nas redes sociais após um vídeo denunciar a retirada de
vegetação na área da Estação da Cultura, localizada em frente à academia
Selfit, onde será instalado o palco principal do evento.
No vídeo, um membro do Grupo
Trilhas do Portal PE lamenta o desmatamento realizado por máquinas e operários,
apontando que a terraplanagem colocou em risco árvores de médio e grande porte
e eliminou a vegetação rasteira do local. O ativista cobrou maior escuta do
poder público e mais diálogo com entidades ligadas à preservação ambiental.
Poucas horas após a repercussão do vídeo, a secretária de Turismo, Esportes e Eventos de Arcoverde, Nerianny Cavalcanti — que também coordena o Comitê de Eventos da Prefeitura — reuniu-se com representantes do coletivo Refloresta Arcoverde. A Secretária reafirmou compromissos com o meio-ambiente:
“Nós estamos com
nosso compromisso com a arborização de Arcoverde. Nós vamos fazer muito mais”.
Segundo o grupo Refloresta,
a reunião tratou da “realocação de ipês plantados anteriormente pelo
movimento, da proteção do parque verde durante todas as etapas do evento e de
possíveis avanços em ações de educação ambiental”, embora sem
detalhamento público dessas medidas.
Mesmo com a tentativa de
diálogo, as críticas continuaram. O arquiteto e urbanista Aldaires Nunes
questionou nas redes sociais:
“Compromisso com a
arborização da cidade? Destruindo o pouco que tem de verde como vimos há dias
atrás? Ouçam o que o coletivo Refloresta Arcoverde tem a apresentar. Eles têm
ideias interessantes e que vão contribuir muito com Arcoverde.”
Por outro lado, vozes também
surgiram em defesa do evento. A profissional liberal Emanuela Barbosa ponderou
sobre os impactos positivos da festa para a economia e o turismo local:
“Às vezes, é preciso
olhar além do desconforto momentâneo e considerar o impacto positivo que certas
mudanças podem trazer a longo prazo para toda a comunidade. Eventos como o São
João movimentam intensamente a economia da cidade — hotéis, restaurantes, ambulantes
e o comércio local em geral se beneficiam significativamente.”
A polêmica expõe um desafio
recorrente em cidades de médio porte: como conciliar a preservação ambiental
com o crescimento das atividades culturais e econômicas? Em Arcoverde, onde o
São João se tornou vitrine para artistas locais e polo de atração turística
regional, o debate agora vai além da festa: trata da identidade urbana, da
sustentabilidade e do futuro dos espaços públicos da cidade.
Enquanto a poeira baixa na
Estação da Cultura, a sociedade civil, os ambientalistas e o poder público
seguem em rota de negociação — tentando encontrar um ponto de equilíbrio entre
o verde das árvores e o brilho das luzes do palco.
👉 Acompanhe mais notícias e curta nossas redes sociais:


Nenhum comentário:
Postar um comentário