“A fantasia serve
para gerar manchetes e incrementar propaganda. Mas na vida real, o quadro é
outro”, disparou Porto, ao afirmar que Pernambuco
vive uma crise de segurança pública disfarçada por números maquiados.
O deputado denunciou que
entre janeiro e abril de 2025, 35 mulheres foram assassinadas em Pernambuco,
mais que o dobro do mesmo período do ano anterior. Ele citou a baixa estrutura
de atendimento às vítimas de violência: apenas 30 centros de referência e 15
delegacias da mulher — sendo que apenas cinco funcionam 24 horas, em um estado
com 185 municípios.
“Essa realidade foi
exposta em audiência pública nesta Casa. O estado é o promotor desse contexto
desesperador que está matando mulheres”, afirmou.
Porto também destacou o
aumento de homicídios envolvendo adolescentes. Apenas no Cabo de Santo
Agostinho, 12 jovens foram baleados este ano. Na Região Metropolitana do
Recife, segundo o Instituto Fogo Cruzado, 52 crianças e adolescentes foram
atingidos por tiros em 2025 — uma média de quase três por semana.
O parlamentar lembrou ainda
que o prefeito do Cabo, Lula Cabral, solicitou formalmente à governadora o
envio da Força Nacional, diante do “cenário de barbaridade” na
cidade. Segundo o prefeito, a ausência de ações do estado motivou a
solicitação. O 18º BPM, que atende o Cabo e Ipojuca, possui apenas 320
policiais — um para cada mil habitantes.
“Essa estrutura
precária é realidade em várias cidades. Prefeitos e vereadores do interior
também denunciam falta de efetivo, equipamentos e estrutura nas polícias”,
alertou.
Outro ponto abordado por
Álvaro Porto foi o abandono do Hospital da Polícia Militar. De acordo com ele,
o TCE já recomendou a recuperação da unidade, que apresenta mofo, infiltrações
e risco de desabamento. “Como garantir segurança com policiais adoecidos
física e emocionalmente?”, questionou.
Segundo pesquisa da
Associação dos Delegados de Pernambuco (Adeppe), 41% dos profissionais relatam
esgotamento emocional e 79% sofrem com dificuldade de concentração.
Além disso, o estado
apresenta um déficit de mais de 220 delegados, o que compromete o funcionamento
da Polícia Civil.
O presidente da Alepe também
criticou o projeto do governo estadual de transferir o 20º BPM de São Lourenço
da Mata para Camaragibe. Para ele, trata-se de uma medida com viés político, já
que o prefeito de São Lourenço é da oposição.
“Mais uma vez, o
governo age sem ouvir prefeitos e a população local. Segurança não pode ser
usada como ferramenta eleitoral”, denunciou.
Segundo Álvaro Porto, o
governo tem divulgado números com viés positivo, mas os dados reais apontam o
contrário. Em abril deste ano, a própria Secretaria de Defesa Social registrou
251 homicídios. Já o Atlas da Violência 2024, publicado pelo Ipea e Fórum
Brasileiro de Segurança, mostrou que Pernambuco teve um aumento de 8% na taxa
de homicídios em 2023 — primeiro ano da gestão Raquel Lyra — enquanto a média
nacional caiu 2,3%. O estado ficou entre os três mais violentos do país, atrás
apenas de Amapá e Rio de Janeiro.
“Não se faz segurança com narrativas. É preciso planejamento, efetivo, estrutura e valorização dos profissionais. Enquanto o governo foca no marketing, famílias choram seus mortos e policiais são abandonados”, concluiu o deputado.
👉 Acompanhe mais notícias e curta
nossas redes sociais:


Nenhum comentário:
Postar um comentário