terça-feira, 13 de maio de 2025

Álvaro Porto faz duro discurso contra Raquel Lyra e acusa governo de maquiar dados da violência

            Em um dos mais contundentes discursos desde o início da atual legislatura, o presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), deputado Álvaro Porto (PSDB), subiu à tribuna nesta terça-feira (13) para acusar o governo estadual, liderado por Raquel Lyra (PSD), de manipular estatísticas da segurança pública e ignorar o agravamento da violência no estado. Segundo o parlamentar, a gestão prioriza propaganda e narrativas publicitárias em vez de enfrentar a realidade das ruas com ações concretas.

“A fantasia serve para gerar manchetes e incrementar propaganda. Mas na vida real, o quadro é outro”, disparou Porto, ao afirmar que Pernambuco vive uma crise de segurança pública disfarçada por números maquiados.

O deputado denunciou que entre janeiro e abril de 2025, 35 mulheres foram assassinadas em Pernambuco, mais que o dobro do mesmo período do ano anterior. Ele citou a baixa estrutura de atendimento às vítimas de violência: apenas 30 centros de referência e 15 delegacias da mulher — sendo que apenas cinco funcionam 24 horas, em um estado com 185 municípios.

“Essa realidade foi exposta em audiência pública nesta Casa. O estado é o promotor desse contexto desesperador que está matando mulheres”, afirmou.

Porto também destacou o aumento de homicídios envolvendo adolescentes. Apenas no Cabo de Santo Agostinho, 12 jovens foram baleados este ano. Na Região Metropolitana do Recife, segundo o Instituto Fogo Cruzado, 52 crianças e adolescentes foram atingidos por tiros em 2025 — uma média de quase três por semana.

O parlamentar lembrou ainda que o prefeito do Cabo, Lula Cabral, solicitou formalmente à governadora o envio da Força Nacional, diante do “cenário de barbaridade” na cidade. Segundo o prefeito, a ausência de ações do estado motivou a solicitação. O 18º BPM, que atende o Cabo e Ipojuca, possui apenas 320 policiais — um para cada mil habitantes.

“Essa estrutura precária é realidade em várias cidades. Prefeitos e vereadores do interior também denunciam falta de efetivo, equipamentos e estrutura nas polícias”, alertou.

Outro ponto abordado por Álvaro Porto foi o abandono do Hospital da Polícia Militar. De acordo com ele, o TCE já recomendou a recuperação da unidade, que apresenta mofo, infiltrações e risco de desabamento. “Como garantir segurança com policiais adoecidos física e emocionalmente?”, questionou.

Segundo pesquisa da Associação dos Delegados de Pernambuco (Adeppe), 41% dos profissionais relatam esgotamento emocional e 79% sofrem com dificuldade de concentração.

Além disso, o estado apresenta um déficit de mais de 220 delegados, o que compromete o funcionamento da Polícia Civil.

O presidente da Alepe também criticou o projeto do governo estadual de transferir o 20º BPM de São Lourenço da Mata para Camaragibe. Para ele, trata-se de uma medida com viés político, já que o prefeito de São Lourenço é da oposição.

“Mais uma vez, o governo age sem ouvir prefeitos e a população local. Segurança não pode ser usada como ferramenta eleitoral”, denunciou.

Segundo Álvaro Porto, o governo tem divulgado números com viés positivo, mas os dados reais apontam o contrário. Em abril deste ano, a própria Secretaria de Defesa Social registrou 251 homicídios. Já o Atlas da Violência 2024, publicado pelo Ipea e Fórum Brasileiro de Segurança, mostrou que Pernambuco teve um aumento de 8% na taxa de homicídios em 2023 — primeiro ano da gestão Raquel Lyra — enquanto a média nacional caiu 2,3%. O estado ficou entre os três mais violentos do país, atrás apenas de Amapá e Rio de Janeiro.

“Não se faz segurança com narrativas. É preciso planejamento, efetivo, estrutura e valorização dos profissionais. Enquanto o governo foca no marketing, famílias choram seus mortos e policiais são abandonados”, concluiu o deputado.

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