quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Empresas 'laranja' movimentaram R$ 340 milhões em cinco anos

          As empresas "laranja" envolvidas na organização criminosa desarticulada pela ‘Operação Destinos Cruzados’ movimentaram mais de R$ 340 milhões de reais nos últimos cinco anos. A informação foi repassada pelo diretor de Operações Estratégicas da Secretaria de Fazenda de Pernambuco, Cristiano Dias, durante entrevista coletiva nesta quarta-feira (20). A cidade de Arcoverde foi um dos alvos da operação.

Ontem, a operação esteve em 29 empresas e encontrou nos estoques R$ 2 milhões em produtos sem notas fiscais ou acobertadas por laranjas. Nos últimos cinco anos, 51 empresas laranjas movimentaram R$ 340 milhões em acobertação de mercadorias dessa natureza, segundo as investigações.

Desencadeada na terça-feira (19), a operação cumpriu sete dos oito mandados de prisão, além de mandados de busca e apreensão e condução coercitiva, quando a pessoa é levada para depor. Entre os crimes atribuídos ao grupo estão: ocultação de notas fiscais, emissão de notas fiscais em desacordo com a realidade, ocultação de mercadorias transportadas, desvio de destino de produtos comercializados, além de embaraço à fiscalização tributária.

As investigações da Delegacia de Crimes Contra a Ordem Tributária começaram no início de 2017, com a apreensão de dois caminhões com mercadorias que iriam para empresas que não existiam de fato, segundo a polícia.

A investigação aponta que os envolvidos no esquema tiravam as notas para uma empresa que não existia e desviavam as mercadorias para outra firma. “Invés de adquirir mercadorias diretamente das empresas fabricantes ou do ramo atacadista legalizadas, eles faziam as compras através de empresas que existiam apenas no cadastro, mas de fato não existiam fisicamente com estoques e estrutura física”, aponta o representante da Secretaria da Fazenda.

Sem a existência das notas fiscais, os reais compradores conseguiam fazer um caixa irregular, não declarado. “Eles possibilitavam que os reais adquirentes fizessem Caixa 2 a partir do momento em que essas mercadorias adentravam os estabelecimentos sem qualquer nota de entrada. Por consequência, eles também possibilitavam a revenda dessa mercadoria sem qualquer nota fiscal”, destaca o delegado.

Somente na terça-feira, a operação apreendeu quatro caminhões de grande porte que seriam utilizados pelas transportadores envolvidas no esquema e mais de R$ 200 mil em dinheiro e cheques, além de computadores e documentos.

O prejuízo ao erário público ainda está sendo averiguado pela Secretaria da Fazenda de Pernambuco. “Nós estamos com ações fiscais em curso em 59 empresas adquirentes. Além das mercadorias encontradas nos estoques, vamos fazer auditorias fiscais para desconstituir os créditos dessas notas que acobertaram mercadorias através de empresas laranjas. Identificamos que, até o momento, 19 dessas empresas tinham ligação direta com a empresa de Pombos”, adianta Dias. Do G1.