terça-feira, 13 de junho de 2017

Caso Itambé: PMs denunciados por homicídio doloso, tortura e omissão

        Os quatro policiais militares envolvidos na morte do estudante Edivaldo da Silva Alves, 21 anos, no dia 11 de abril deste ano, na cidade de Itambé, foram denunciados pelo Ministério Público nesta terça-feira (13) por homicídio doloso, tortura e omissão de socorro.

Edivaldo da Silva morreu em decorrência de ferimentos causados por disparo de bala de borracha efetuado por um soldado, durante manifestação popular, em 17 de março, no trevo do distrito de Caricé, na PE-75, no município de Itambé, na Zona da Mata Norte. Os PMs são os soldados Ivaldo Batista de Sousa Júnior e Alexandre Dutra da Silva, o capitão Ramon Tadeu Silva Cazé e o tenente Silvino Lopes de Souza.

Divergindo do inquérito da Polícia Civil, o promotor de Justiça João Elias da Silva Filho denunciou Ivaldo, autor do disparo, por homicídio doloso, em vez de culposo. O comandante da ação, capitão Cazé, foi denunciado também por homicídio doloso, além do crime de tortura. Os outros dois PMS foram denunciados por omissão em conduta de tortura.

De acordo com a denúncia, o soldado Ivaldo Batista utilizou uma espingarda calibre 12, carregada com cartucho de projétil de elastômero (bala de borracha), para disparar contra Edivaldo, causando-lhe os ferimentos graves que levaram à sua morte. Conforme a investigação, o soldado atendeu ordem direta e pessoal do capitão Ramon Cazé, que arrastou o estudante para a caçamba de uma viatura da corporação, depois de agredi-lo.

Na avaliação do promotor, o soldado era tecnicamente habilitado para utilizar a arma com os projéteis de munição não-letal. Apesar disso, eles descumpriram uma série de normas relacionadas à pacificação da manifestação e também do uso de munições de impacto controlado, como distância segura para o disparo e a região do corpo onde mirar.

João Elias também considerou que, em vez de abuso de autoridade, como indicou o inquérito da Polícia Civil, a conduta do comandante da operação configurou tortura. “Para que a vítima foi arrastada e esbofeteada? A intenção foi aumentar o sofrimento do estudante de forma desnecessária”, atestou o promotor, que também denunciou outros dois PMS por omissão.

O promotor ainda pediu à Justiça que estabeleça algumas medidas cautelares contra os denunciados para que o processo siga sem sobressaltos. O representante do MP solicitou que os acusados sejam proibidos de ir a Itambé a menos que sejam convocados pela Justiça; que não façam contato com testemunhas ou informantes, mantendo uma distância de no mínimo 100 metros dessas pessoas; não se ausentem dos endereços residencial ou profissional sem autorização judicial; e não atuem em policiamento ostensivo restringindo-se a tarefas administrativas, além de terem que se recolher às respectivas casas até, no máximo, 22 horas.