A Lei nº 11.795/2008 conferiu maior segurança jurídica ao setor ao estabelecer regras claras para seu funcionamento e consolidar sua supervisão pelo Banco Central do Brasil. Desde então, o consórcio deixou de ser apenas uma alternativa ao financiamento bancário para tornar-se um relevante instrumento de formação patrimonial. Segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), o sistema encerrou 2025 com 12,76 milhões de participantes ativos e cerca de R$ 500 bilhões em créditos comercializados, os maiores resultados de sua história.
Essa expansão ocorre em um ambiente de elevada concentração bancária e de juros elevados. Enquanto o crédito tradicional encarece o acesso ao consumo e ao investimento, o consórcio estrutura-se sobre uma taxa de administração, permitindo que maior parcela da renda das famílias seja direcionada à aquisição de ativos e à construção de patrimônio.
O modelo beneficia especialmente as famílias das classes C e D, que concentram a maior parte da população economicamente ativa, mas apresentam reduzida capacidade de poupança. Para milhões de brasileiros, o consórcio representa a possibilidade de adquirir a casa própria, um veículo ou investir na atividade produtiva por meio do planejamento financeiro, e não do endividamento imediato.
Outro diferencial é a inclusão. Em regra, a análise da capacidade de pagamento ocorre apenas no momento da contemplação, permitindo que o participante organize sua vida financeira ao longo do contrato. Associado a parcelas acessíveis, o sistema amplia o alcance do crédito planejado e incorpora ao mercado consumidores tradicionalmente excluídos.
Os recursos movimentados pelos consórcios impulsionam diversos segmentos da economia. O crédito imobiliário favorece a aquisição da primeira moradia e a formação de patrimônio familiar; o consórcio de veículos fortalece pequenos empreendedores e trabalhadores autônomos; e o consórcio de serviços amplia o acesso à educação, à saúde e à qualificação profissional, investimentos que elevam a produtividade e fortalecem o capital humano.
Os benefícios vão além da aquisição de bens. No médio prazo, o consórcio fortalece a disciplina de poupança, melhora a organização financeira e reduz o comprometimento da renda com custos financeiros. No longo prazo, favorece a acumulação patrimonial, amplia a segurança econômica das famílias, estimula a mobilidade social e contribui para a formação de riqueza entre gerações.
Em um país marcado por juros elevados, baixa taxa de poupança e forte concentração bancária, fortalecer o sistema de consórcios significa ampliar a concorrência no mercado de crédito, democratizar o acesso ao patrimônio, estimular o investimento produtivo e criar condições para um desenvolvimento econômico mais equilibrado e sustentável. Mais do que uma modalidade de crédito, o consórcio consolidou-se como um instrumento de inclusão financeira e de democratização da riqueza no Brasil.
@alexandreluizoliveira
– alexandre.galvao@autorizadoademicon.com.br
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