quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Câmara aprova desoneração de combustíveis para conter alta provocada por conflito no Oriente Médio

              A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (12) o Projeto de Lei Complementar (PLP) 114/2026, que reduz as alíquotas de tributos federais incidentes sobre a importação, produção e comercialização de combustíveis no Brasil. A medida abrange o óleo diesel rodoviário, biodiesel, gasolina, etanol e querosene de aviação. A matéria foi aprovada com folga: 318 votos favoráveis, 113 contrários e uma abstenção, e agora segue para análise do Senado.

A principal motivação do projeto é mitigar o impacto doméstico da escalada global nos preços dos combustíveis. A recente guerra entre Estados Unidos e Irã resultou no fechamento da principal rota de exportação de petróleo do Oriente Médio, gerando forte volatilidade e alta na cotação internacional do barril.

Para evitar desequilíbrio nas contas públicas, a perda de arrecadação gerada pela desoneração será coberta pelo próprio excedente de receitas da União ligado ao petróleo. O aumento do preço do barril elevou substancialmente o recolhimento de royalties e participações especiais neste ano.

"Somente entre janeiro e março de 2026, a arrecadação federal chegou a R$ 28 bilhões, contra R$ 9 bilhões no mesmo período em 2025, um crescimento real superior a 200%," destacou a relatora do projeto, deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO).

A relatora apresentou um substitutivo ao texto original do deputado Paulo Pimenta (PT-SP). A nova versão vai além dos combustíveis fósseis e institui um pacote mais amplo de benefícios fiscais e econômicos.

Entre as principais inovações do texto aprovado estão a Proteção ao Etanol e Biocombustíveis, O governo destinará R$ 1,2 bilhão em subvenções aos produtores de etanol hidratado ainda este ano, Produtores de etanol (incluindo cooperativas) poderão abater até R$ 750 milhões em dívidas com a Receita Federal, Criação de um programa de créditos fiscais de até R$ 5 bilhões (limitado a R$ 1 bilhão ao ano) entre 2027 e 2031 para a produção nacional de fertilizantes e a Inclusão de incentivos à pesquisa de minerais críticos e terras raras.   

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