segunda-feira, 6 de julho de 2026

TRF1 nega pedido de Sari Corte Real para obter financiamento integral do Fies em curso de Medicina

Condenada pela morte do menino Miguel Otávio, ex-primeira-dama de Tamandaré buscava garantir financiamento estudantil alegando cumprir os requisitos previstos na legislação do programa

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) negou, por unanimidade, o pedido apresentado por Sari Corte Real para obter financiamento integral por meio do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). O acórdão foi assinado no último dia 25 de junho e manteve o entendimento de que ela não faz jus ao benefício nas condições pleiteadas.

Condenada pela morte do menino Miguel Otávio, caso que ganhou repercussão nacional em 2020, Sari ingressou na Justiça após ter o pedido de financiamento negado para cursar Medicina em uma instituição privada de Jaboatão dos Guararapes, onde foi aprovada em 2023.

Na ação, ela sustentou que preenchia os requisitos socioeconômicos previstos para o programa, como renda familiar bruta per capita inferior a três salários mínimos, além de atender aos critérios estabelecidos pela legislação do Fies.

O financiamento foi inicialmente negado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), sob o argumento de que a candidata não alcançou a pontuação mínima exigida no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Ao recorrer à Justiça, Sari alegou que a exigência de nota mínima seria ilegal, defendendo que a Lei do Fies não estabelece expressamente esse requisito e que a limitação estaria prevista apenas em normas regulamentares.

Ela também solicitou que a Justiça determinasse ao FNDE e à Caixa Econômica Federal a concessão do financiamento integral para custear sua graduação.

Ao analisar o caso, o TRF1 rejeitou o recurso e manteve o entendimento favorável à decisão administrativa que negou o benefício.

O colegiado concluiu, de forma unânime, que não havia fundamento jurídico para obrigar os órgãos federais a concederem o financiamento nas condições requeridas pela autora da ação.

Com isso, permanece válida a decisão que impede Sari Corte Real de acessar o crédito estudantil pelo Fies para o curso de Medicina.

Sari Corte Real ficou nacionalmente conhecida após ser responsabilizada pela morte do menino Miguel Otávio, de cinco anos, em junho de 2020, no Recife.

O caso ocorreu quando a criança caiu do nono andar de um edifício enquanto estava sob os cuidados de Sari. O episódio gerou ampla comoção em todo o país e resultou em um processo judicial que culminou com sua condenação.

Agora, a nova decisão do Tribunal Regional Federal acrescenta mais um capítulo à trajetória judicial envolvendo a ex-primeira-dama de Tamandaré, desta vez relacionado ao acesso ao financiamento estudantil federal. 

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