domingo, 12 de julho de 2026

STF bloqueia R$ 6 milhões de Eduardo Cunha por suspeita de operar ‘orçamento secreto’ sem mandato

Decisão do ministro Flávio Dino atende à Polícia Federal. Ex-deputado teria direcionado emendas para MG agindo como "agente privado".

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou o bloqueio de bens do ex-deputado federal Eduardo Cunha até o limite de R$ 6 milhões. A medida atende às apurações da Operação Transparência da Polícia Federal (PF).

De acordo com as investigações, Cunha destinou esse montante para municípios de Minas Gerais por meio de 21 emendas parlamentares ligadas ao chamado "orçamento secreto" – esquema revelado em 2021. O ex-parlamentar teria articulado os repasses mesmo sem exercer cargo eletivo.

Na decisão de 40 páginas, Flávio Dino ressaltou que as evidências indicam que Cunha atuava "como um agente privado com influência política equivalente ou até superior à dos parlamentares em exercício", direcionando verbas sem autorização institucional.

Cunha teve o mandato cassado em setembro de 2016 por quebra de decoro, sob a acusação de mentir à CPI da Petrobras ao negar ter contas no exterior. Após tentar, sem sucesso, uma vaga por São Paulo em 2022, ele agora busca retornar à Câmara dos Deputados por Minas Gerais nas eleições deste ano. A defesa do ex-deputado ainda não se manifestou.

A ofensiva contra a influência externa no orçamento atinge outros nomes de peso. Na última sexta-feira (10), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, teve R$ 119 milhões bloqueados por suspeita semelhante de interferência em emendas sem mandato eletivo. A defesa de Valdemar classificou a decisão como baseada em "premissas frágeis". A PF investiga a suspeita de que Cunha e Valdemar compartilhavam a mesma operadora dentro da Câmara para viabilizar as destinações milionárias.

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