Polícia
reúne depoimentos que revelam vínculo de amizade e parceria comercial entre o
investigado e os empresários; Justiça converte prisão em flagrante em
preventiva
As
investigações sobre o assassinato dos irmãos e empresários Edmilson Souza
Salviano, de 48 anos, conhecido como "Biu", e Edvaldo Souza Salviano,
de 41 anos, o "Valdo", encontrados mortos às margens da PE-122, em
Exu, no Sertão de Pernambuco, ganharam novos desdobramentos. De acordo com a
Polícia Civil, o principal suspeito do crime, Lázaro José da Silva Filho, de 49
anos, mantinha uma relação de amizade e confiança com as vítimas, circunstância
que pode ter facilitado a execução do duplo homicídio.
Os
irmãos foram encontrados sem vida no último domingo (5), após desaparecerem em
circunstâncias que mobilizaram familiares e autoridades. Conforme as
investigações, Lázaro, conhecido na região como "Novinho de Lázaro",
também possuía vínculos comerciais com a família.
Depoimentos
prestados à Polícia Civil revelam que o investigado trabalhava como marchante e
fornecia carnes para o frigorífico pertencente a Edvaldo, instalado no
município de Ouricuri.
Além
da relação profissional, testemunhas informaram que Lázaro frequentava
regularmente uma propriedade rural de Edmilson, onde eram criados animais, e
era considerado amigo próximo dos dois empresários.
A
esposa de Edvaldo também confirmou às autoridades que conhecia o suspeito desde
o início do casamento. Segundo ela, Lázaro costumava frequentar a residência da
família e nunca houve registros de desentendimentos, ameaças ou conflitos
aparentes entre ele e as vítimas.
A
ausência de atritos conhecidos torna ainda mais complexa a apuração da
motivação do crime.
Na
audiência de custódia, o juiz Eugênio Jacinto Oliveira Filho converteu a prisão
em flagrante de Lázaro em prisão preventiva, destacando que as provas reunidas
até o momento demonstram indícios consistentes de autoria.
Na
decisão, o magistrado ressaltou que testemunhas identificaram o investigado
como a pessoa que conduzia os irmãos pouco antes de eles serem encontrados
mortos.
"A prova da materialidade está comprovada e há
indícios suficientes de autoria em desfavor do autuado, apontado pelas
testemunhas como a pessoa que conduzia as vítimas no interior do veículo
momentos antes de serem localizadas sem vida", registra trecho da decisão judicial.
Outro
ponto considerado relevante foi o modo como o crime teria sido praticado.
Segundo
a decisão, as vítimas foram privadas da liberdade antes da execução, sendo
transportadas amarradas dentro do próprio veículo.
Uma
delas foi encontrada no porta-malas do automóvel, enquanto ambas foram
localizadas mortas em uma ribanceira de difícil acesso às margens da rodovia
estadual.
A
Polícia Civil segue investigando o caso para esclarecer a motivação do duplo
homicídio e verificar se outras pessoas participaram da ação criminosa.
O
assassinato dos irmãos, bastante conhecidos no Sertão pernambucano pela atuação
empresarial, causou forte comoção na região e segue sendo tratado como uma das
ocorrências de maior repercussão recente no interior do Estado.
Enquanto as investigações avançam, o suspeito permanecerá preso preventivamente à disposição da Justiça.
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