segunda-feira, 6 de julho de 2026

Investigação aponta que suspeito de matar irmãos empresários em Exu era amigo das vítimas

Polícia reúne depoimentos que revelam vínculo de amizade e parceria comercial entre o investigado e os empresários; Justiça converte prisão em flagrante em preventiva

As investigações sobre o assassinato dos irmãos e empresários Edmilson Souza Salviano, de 48 anos, conhecido como "Biu", e Edvaldo Souza Salviano, de 41 anos, o "Valdo", encontrados mortos às margens da PE-122, em Exu, no Sertão de Pernambuco, ganharam novos desdobramentos. De acordo com a Polícia Civil, o principal suspeito do crime, Lázaro José da Silva Filho, de 49 anos, mantinha uma relação de amizade e confiança com as vítimas, circunstância que pode ter facilitado a execução do duplo homicídio.

Os irmãos foram encontrados sem vida no último domingo (5), após desaparecerem em circunstâncias que mobilizaram familiares e autoridades. Conforme as investigações, Lázaro, conhecido na região como "Novinho de Lázaro", também possuía vínculos comerciais com a família.

Depoimentos prestados à Polícia Civil revelam que o investigado trabalhava como marchante e fornecia carnes para o frigorífico pertencente a Edvaldo, instalado no município de Ouricuri.

Além da relação profissional, testemunhas informaram que Lázaro frequentava regularmente uma propriedade rural de Edmilson, onde eram criados animais, e era considerado amigo próximo dos dois empresários.

A esposa de Edvaldo também confirmou às autoridades que conhecia o suspeito desde o início do casamento. Segundo ela, Lázaro costumava frequentar a residência da família e nunca houve registros de desentendimentos, ameaças ou conflitos aparentes entre ele e as vítimas.

A ausência de atritos conhecidos torna ainda mais complexa a apuração da motivação do crime.

Na audiência de custódia, o juiz Eugênio Jacinto Oliveira Filho converteu a prisão em flagrante de Lázaro em prisão preventiva, destacando que as provas reunidas até o momento demonstram indícios consistentes de autoria.

Na decisão, o magistrado ressaltou que testemunhas identificaram o investigado como a pessoa que conduzia os irmãos pouco antes de eles serem encontrados mortos.

"A prova da materialidade está comprovada e há indícios suficientes de autoria em desfavor do autuado, apontado pelas testemunhas como a pessoa que conduzia as vítimas no interior do veículo momentos antes de serem localizadas sem vida", registra trecho da decisão judicial.

Outro ponto considerado relevante foi o modo como o crime teria sido praticado.

Segundo a decisão, as vítimas foram privadas da liberdade antes da execução, sendo transportadas amarradas dentro do próprio veículo.

Uma delas foi encontrada no porta-malas do automóvel, enquanto ambas foram localizadas mortas em uma ribanceira de difícil acesso às margens da rodovia estadual.

A Polícia Civil segue investigando o caso para esclarecer a motivação do duplo homicídio e verificar se outras pessoas participaram da ação criminosa.

O assassinato dos irmãos, bastante conhecidos no Sertão pernambucano pela atuação empresarial, causou forte comoção na região e segue sendo tratado como uma das ocorrências de maior repercussão recente no interior do Estado.

Enquanto as investigações avançam, o suspeito permanecerá preso preventivamente à disposição da Justiça. 

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