quarta-feira, 17 de junho de 2026

Lula e Trump trocam cumprimentos nos bastidores do G7, mas evitam encontro oficial

Presidente brasileiro e líder norte-americano tiveram breve contato durante evento social promovido pelo governo francês

A aguardada aproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a cúpula ampliada do G7, na França, acabou se limitando a um breve cumprimento nos bastidores do encontro internacional.

Segundo relatos de integrantes das delegações presentes em Évian-les-Bains, nos Alpes Franceses, Lula e Trump trocaram cumprimentos durante um evento social realizado na noite de terça-feira (16), promovido pelo presidente francês Emmanuel Macron. O momento ocorreu entre a apresentação de um coral e o jantar oferecido aos chefes de Estado convidados para a reunião.

Apesar da expectativa em torno de uma possível conversa mais ampla entre os dois líderes, não houve encontro bilateral nem registro oficial do breve contato. O Itamaraty já havia descartado anteriormente qualquer negociação para uma reunião formal entre os presidentes durante a agenda do G7.

A possibilidade de um diálogo ganhou relevância diante das tensões comerciais envolvendo Brasil e Estados Unidos. Assessores do governo brasileiro consideravam importante uma conversa direta para tratar das medidas tarifárias anunciadas pela administração norte-americana, que vêm gerando preocupação entre exportadores brasileiros.

Durante os compromissos públicos da cúpula, Lula e Trump permaneceram distantes. Na tradicional foto oficial do G7 ampliado, que reuniu os líderes das principais economias do mundo e países convidados, não houve interação entre os dois presidentes.

A mesma postura foi observada durante a sessão dedicada à solidariedade internacional e ao desenvolvimento global. Na ocasião, Lula realizou um discurso em defesa do multilateralismo e fez críticas ao crescimento de políticas protecionistas adotadas por algumas nações.

Sem mencionar diretamente os Estados Unidos, o presidente brasileiro afirmou que medidas unilaterais e barreiras comerciais não representam soluções para os desafios globais.

"O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias. Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas", declarou Lula.

O presidente também destacou que o enfrentamento ao crime organizado internacional deve ocorrer com respeito à soberania dos países, tema que tem ocupado espaço relevante nos debates políticos e diplomáticos recentes.

A participação brasileira no G7 continua nesta quarta-feira (17), quando Lula deverá discursar na sessão dedicada ao tema "Relançar um crescimento econômico equilibrado, compartilhado e sustentado em benefício de todos".

A expectativa é de que o presidente brasileiro volte a defender maior cooperação internacional, fortalecimento das instituições multilaterais e ampliação dos investimentos voltados ao desenvolvimento sustentável.

Mesmo sem uma reunião formal com Donald Trump, o breve cumprimento entre os dois líderes foi visto por observadores diplomáticos como um gesto de cordialidade em meio a divergências políticas e comerciais que marcam a relação entre Brasília e Washington. 

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