Presidente brasileiro e
líder norte-americano tiveram breve contato durante evento social promovido
pelo governo francês
A aguardada aproximação
entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos,
Donald Trump, durante a cúpula ampliada do G7, na França, acabou se limitando a
um breve cumprimento nos bastidores do encontro internacional.
Segundo relatos de
integrantes das delegações presentes em Évian-les-Bains, nos Alpes Franceses,
Lula e Trump trocaram cumprimentos durante um evento social realizado na noite
de terça-feira (16), promovido pelo presidente francês Emmanuel Macron. O momento
ocorreu entre a apresentação de um coral e o jantar oferecido aos chefes de
Estado convidados para a reunião.
Apesar da expectativa em
torno de uma possível conversa mais ampla entre os dois líderes, não houve
encontro bilateral nem registro oficial do breve contato. O Itamaraty já havia
descartado anteriormente qualquer negociação para uma reunião formal entre os
presidentes durante a agenda do G7.
A possibilidade de um
diálogo ganhou relevância diante das tensões comerciais envolvendo Brasil e
Estados Unidos. Assessores do governo brasileiro consideravam importante uma
conversa direta para tratar das medidas tarifárias anunciadas pela administração
norte-americana, que vêm gerando preocupação entre exportadores brasileiros.
Durante os compromissos
públicos da cúpula, Lula e Trump permaneceram distantes. Na tradicional foto
oficial do G7 ampliado, que reuniu os líderes das principais economias do mundo
e países convidados, não houve interação entre os dois presidentes.
A mesma postura foi
observada durante a sessão dedicada à solidariedade internacional e ao
desenvolvimento global. Na ocasião, Lula realizou um discurso em defesa do
multilateralismo e fez críticas ao crescimento de políticas protecionistas
adotadas por algumas nações.
Sem mencionar diretamente os
Estados Unidos, o presidente brasileiro afirmou que medidas unilaterais e
barreiras comerciais não representam soluções para os desafios globais.
"O neoliberalismo
agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as
democracias. Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas
falaciosas para a complexidade dos nossos problemas", declarou Lula.
O presidente também destacou
que o enfrentamento ao crime organizado internacional deve ocorrer com respeito
à soberania dos países, tema que tem ocupado espaço relevante nos debates
políticos e diplomáticos recentes.
A participação brasileira no
G7 continua nesta quarta-feira (17), quando Lula deverá discursar na sessão
dedicada ao tema "Relançar um crescimento econômico equilibrado,
compartilhado e sustentado em benefício de todos".
A expectativa é de que o
presidente brasileiro volte a defender maior cooperação internacional,
fortalecimento das instituições multilaterais e ampliação dos investimentos
voltados ao desenvolvimento sustentável.
Mesmo sem uma reunião formal com Donald Trump, o breve cumprimento entre os dois líderes foi visto por observadores diplomáticos como um gesto de cordialidade em meio a divergências políticas e comerciais que marcam a relação entre Brasília e Washington.
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