sexta-feira, 8 de maio de 2026

Ministério Público Eleitoral aponta irregularidades milionárias em contas de campanha de Tarcísio

              A prestação de contas da campanha eleitoral de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo, em 2022, passou a ser alvo de questionamentos formais por parte do Ministério Público Eleitoral (MPE). Em representação encaminhada à Justiça Eleitoral, o órgão elenca uma série de inconsistências que, segundo a análise técnica, podem configurar irregularidades graves na arrecadação e aplicação de recursos durante o pleito.

O documento foi fundamentado no artigo 30-A da Lei das Eleições, que trata da captação e uso ilícito de recursos em campanhas eleitorais. A norma prevê sanções que podem chegar à cassação do diploma, caso sejam comprovadas irregularidades com impacto relevante na lisura do processo eleitoral.

De acordo com a Procuradoria Regional Eleitoral, uma parcela significativa das despesas declaradas — superior a R$ 25 milhões — não apresentou comprovação adequada. O montante corresponde a aproximadamente 67,5% dos gastos contratados pela campanha, sendo a maior parte custeada com verbas públicas provenientes do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário.

Entre os pontos considerados mais sensíveis está o registro de uma doação atribuída a uma pessoa já falecida. Segundo o Ministério Público, um repasse de R$ 600 foi vinculado ao nome de Tereza Akemi Nozaki Setoguchi, que constaria em sistema oficial de controle de óbitos. Para os investigadores, o episódio levanta dúvidas sobre a origem real de parte dos recursos arrecadados e sugere possível irregularidade no processo de financiamento.

Além disso, a representação também aponta contribuições realizadas por pessoas físicas com renda incompatível com os valores doados, o que, na avaliação do órgão, pode indicar utilização de terceiros para mascarar a verdadeira fonte dos recursos.

No documento, o Ministério Público destaca que as inconsistências identificadas não se limitam a falhas formais, mas podem caracterizar irregularidades substanciais, com potencial de comprometer a transparência e a legalidade da campanha.

A ação agora será analisada pela Justiça Eleitoral, que deverá avaliar os elementos apresentados, abrir prazo para manifestação da defesa e, eventualmente, determinar diligências complementares. O desfecho do caso poderá ter implicações políticas e jurídicas relevantes, dependendo da conclusão sobre a regularidade das contas. 

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