terça-feira, 21 de abril de 2026

Raquel Lyra pressiona Alepe por votação do orçamento nesta quarta-feira (22)

            A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), intensificou a cobrança sobre a Assembleia Legislativa de Pernambuco para destravar um dos principais entraves administrativos do Estado: a aprovação do ajuste na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026. Mesmo com uma semana encurtada por feriados, a expectativa do Palácio do Campo das Princesas é que a matéria seja apreciada já nesta quarta-feira (22).

O ponto central da proposta é a ampliação do limite de remanejamento de recursos para até 20%, mecanismo considerado essencial pelo governo para garantir flexibilidade na execução orçamentária. Atualmente, Pernambuco enfrenta um cenário atípico: é o único estado brasileiro sem o orçamento plenamente operacional, segundo destacou a própria governadora.

“É importante que o orçamento seja votado. Isso atrapalha o funcionamento regular do Estado, não só para nós, mas também para os demais poderes”, afirmou Raquel Lyra durante evento de mudança no comando do Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco.

O impasse, no entanto, está longe de ser apenas técnico. A disputa ganhou contornos políticos após a inclusão do ajuste por meio de emenda da Comissão de Finanças em um projeto que trata do remanejamento de R$ 155 milhões destinados ao Tribunal de Justiça de Pernambuco. Deputados de oposição reagiram, alegando falta de transparência no processo e questionando a inserção da proposta sem comunicação prévia ao colegiado.

A origem do conflito remonta ao fim de 2025, quando a LOA foi aprovada com uma emenda que limitava o remanejamento a 10% por unidade orçamentária. O trecho foi vetado pela governadora, que defendeu a ampliação para 20%. No entanto, o veto foi mantido pelos parlamentares, o que, na prática, zerou a margem de remanejamento e engessou a execução do orçamento estadual.

Desde então, o projeto enviado pelo Executivo enfrenta resistência na Alepe. Em março, a proposta chegou a ser analisada pela Comissão de Finanças, mas acabou rejeitada, refletindo a maioria oposicionista no colegiado.

O cenário atual evidencia um braço de ferro entre Executivo e Legislativo, com impactos diretos na gestão pública e na capacidade de execução de políticas estaduais.

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