segunda-feira, 27 de abril de 2026

PT afirma que derrubada de vetos da dosimetria favorece "estupradores, feminicidas e pedófilos"

             Em meio à expectativa de uma decisão relevante no Congresso Nacional, a bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados tornou público, nesta segunda-feira (27), um posicionamento firme contra a possível derrubada do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao chamado “PL da Dosimetria”. O tema deve ser analisado em sessão conjunta do Legislativo prevista para a próxima quinta-feira (30).

No documento divulgado, os parlamentares argumentam que a revogação do veto pode gerar efeitos diretos na legislação penal, com redução significativa no tempo mínimo de cumprimento de pena para crimes considerados graves. Entre os pontos destacados, está a possibilidade de flexibilização nas regras de progressão de regime para condenados por delitos hediondos e crimes contra o Estado Democrático de Direito.

"A derrubada do veto produzirá um efeito concreto e imediato de favorecer, dentre outros, estupradores, feminicidas e pedófilos. Hoje, o condenado primário por crime hediondo precisa cumprir 70% da pena para progredir; com a derrubada do veto, esse porcentual cairá para 40%. No feminicídio, a fração cairá de 75% para 55%", diz o documento.

Segundo a nota, a manutenção do veto — identificado como Veto nº 3/2026 — é considerada essencial para assegurar a coerência das normas penais vigentes e preservar a resposta institucional a episódios recentes que atentaram contra as instituições democráticas, em referência aos atos relacionados ao Ataques de 8 de janeiro de 2023.

A bancada também menciona mudanças introduzidas por legislações anteriores, como o endurecimento das regras para progressão de regime em crimes hediondos, incluindo tráfico de drogas e atuação de milícias. De acordo com o posicionamento, a eventual derrubada do veto reduziria percentuais mínimos de cumprimento de pena, com impactos que variam entre 15 e 30 pontos percentuais, dependendo da natureza do crime e do histórico do condenado.

Outro ponto abordado no texto é a crítica à inclusão de mecanismos que, segundo o partido, poderiam beneficiar condenados por crimes contra o Estado Democrático de Direito, ao prever, por exemplo, formas de redução de pena e aplicação de critérios mais brandos na dosimetria.

Além da defesa pela manutenção do veto presidencial, o partido informou que apresentou propostas legislativas para classificar crimes contra o Estado Democrático como hediondos, bem como para criar, no Código Penal, o tipo específico de “alta traição à Pátria”.

A decisão final sobre o tema caberá ao Congresso Nacional, que poderá manter ou derrubar o veto presidencial, definindo os rumos da política criminal em debate no país. 

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