segunda-feira, 27 de abril de 2026

MPPE abre procedimento para fiscalizar gastos do São João 2026 em Arcoverde

             O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) iniciou uma ação de controle sobre os gastos públicos relacionados ao São João 2026 de Arcoverde. A medida, formalizada por meio de portaria da 4ª Promotoria de Justiça do município, estabelece a abertura de procedimento administrativo para acompanhar a regularidade das contratações artísticas realizadas pela gestão municipal.

O Procedimento Administrativo nº 02291.000.165/2026 tem como foco principal garantir que os recursos públicos destinados ao evento — um dos maiores do calendário cultural da região — sejam aplicados dentro dos parâmetros legais. Entre os princípios observados estão legalidade, economicidade, razoabilidade e proporcionalidade.

A iniciativa ocorre em um momento estratégico, já que a Prefeitura de Arcoverde anunciou oficialmente a programação do São João 2026, que contará com 16 dias de festividades, entre 13 e 28 de junho, reunindo nomes de destaque nacional como Alceu Valença, Wesley Safadão, Nattan, Flávio José e a dupla Matheus & Kauan.

Para embasar a análise dos valores pagos aos artistas, o MPPE utilizará como referência dados do Painel dos Festejos Juninos de 2025, além de parâmetros técnicos recomendados por entidades municipalistas. O objetivo é verificar se os cachês estão compatíveis com a média praticada no estado e evitar possíveis distorções.

Um dos pontos de atenção destacados no documento é o valor dos contratos. Segundo a Promotoria, contratações que ultrapassem R$ 600 mil serão classificadas como “outliers” — ou seja, fora do padrão — e deverão apresentar justificativas detalhadas por parte da administração municipal.

Como medida inicial, o Ministério Público determinou o envio da portaria ao prefeito, ao controlador-geral do município e ao presidente da Câmara de Vereadores, assegurando transparência e ciência institucional sobre o acompanhamento em curso.

Em entrevista na semana passada, o prefeito Zeca Cavalcanti garantiu que não haverá utilização de recursos públicos para pagar os maiores cachês do São João de Arcoverde, como o do cantor Wesley Safadão, cujo show tem oscilado entre R$ 1,2 milhão e R$ 1 milhão e meio. Zeca disse que “não seria louco” de usar recursos públicos da municipalidade na contratação de nomes como Wesley, Xand Avião e Nathanzinho Lima. 

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