quarta-feira, 1 de abril de 2026

Crônica | O dia em que tudo deu certo (ou quase)

              Acordei hoje com uma sensação estranha. Liguei o rádio, fui na 92, 93, 95, 106 FM, abri o celular, olhei pela janela… e lá estava: o Brasil em paz. Sem gritos, sem dedos apontados, sem brigas de família por causa de política. Era como se, de repente, tivéssemos desaprendido o ódio e reaprendido o respeito.

Nas ruas, pessoas conversavam. Discordavam, claro — porque isso faz parte —, mas com um sorriso no rosto, como quem entende que política é escolha, não guerra. O país respirava uma normalidade quase esquecida. A disputa voltou a ser eleitoral, não pessoal. E isso, por si só, já parecia um milagre.

Em Pernambuco, as notícias eram ainda mais surpreendentes. Os casos de feminicídio despencaram. A governadora — uma mulher — celebrava um feito histórico: o estado com menos mulheres mortas em todo o país. Um marco civilizatório, daqueles que fazem a gente acreditar que o futuro pode, sim, ser melhor.

Como se não bastasse, o bolso do povo também respirava. A gasolina e o diesel mais baratos, o sorriso voltando ao rosto de quem precisa escolher entre encher o tanque ou a mesa. E, para completar, a seleção brasileira — finalmente — com as mãos na taça do hexa. Era festa em cada esquina, em cada televisão ligada.

E Pernambuco seguia surpreendendo. Quatro novos hospitais, erguidos nos últimos quatro anos, um em cada região do estado. Um feito daqueles que entram para a história. Saúde mais perto, mais dignidade, mais cuidado.

Mas foi quando olhei para Arcoverde que quase não acreditei. A cidade, enfim, celebrava a chegada das cinco empresas prometidas desde 2012 no tão falado, eternamente cantado, distrito industrial. Empregos, movimento, esperança renovada. O Maria de Fátima, antes esquecido, agora reluzia: ruas novas, creche, escola… um pequeno paraíso sertanejo.

Na Avenida Antônio Japiassu, os lojistas comemoravam o fim dos alagamentos. A água, finalmente, seguia seu caminho sem invadir sonhos em forma de lojas e casas. E a cidade… ah, a cidade estava irreconhecível. Totalmente saneada, 100% calçada, organizada.

A Praça da Bandeira brilhava com um visual moderno, cheia de vida. A nova praça batia forte no coração de Arcoverde.

E poxa! Finalmente os contrários se uniram, os diferentes se mostraram iguais e Arcoverde se preparava para receber nas celebrações da Semana Santa as visitas de seus deputados e deputadas Federal e Estadual. Éramos fortes novamente na política regional e nacional.

E, como se fosse pouco, a tão sonhada duplicação da BR-232 finalmente saía do papel. Os carros já cruzavam a cidade, sorrindo feito o personagem do Relâmpago McQueen. Um sonho antigo virando realidade, desses que a gente aprende a não acreditar… até ver acontecendo.

Parei por um instante. Respirei fundo. Sorri.

— Ah, como é bom ano de eleição…

Foi quando olhei o calendário.

É 1º de abril. 

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