quinta-feira, 30 de abril de 2026

Congresso derruba veto presidencial e aprova redução de pena aos condenados do 8 de janeiro

                 O Congresso Nacional decidiu, nesta quinta-feira (30), derrubar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto conhecido como “PL da Dosimetria”, que altera critérios de aplicação de penas para condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

A decisão foi tomada com ampla maioria nas duas Casas. Na Câmara dos Deputados, 318 parlamentares votaram pela derrubada do veto, enquanto 144 foram contrários. Já no Senado Federal, o placar foi de 49 votos favoráveis e 24 contrários, superando o mínimo necessário para rejeição.

O texto aprovado estabelece mudanças na dosimetria das penas, permitindo, entre outros pontos, que não haja a soma automática de crimes como tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Nesses casos, passa a prevalecer a punição do crime mais grave, com acréscimos proporcionais.

A proposta também prevê redução de pena para réus que tenham participado dos atos em contexto de multidão, desde que não tenham exercido papel de liderança ou financiamento. Segundo estimativas apresentadas no âmbito do Supremo Tribunal Federal, ao menos 190 pessoas podem ser beneficiadas com as novas regras.

Entre os possíveis alcançados pelas mudanças está o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar por questões de saúde, mas ainda cumprindo pena em regime fechado após condenação superior a 27 anos. Pelas regras atuais, a progressão de regime ocorreria apenas na próxima década, mas especialistas apontam que, com a nova legislação, esse prazo pode ser reduzido.

O projeto segue agora para promulgação. Caso o presidente da República não o faça dentro do prazo legal de 48 horas, a responsabilidade será transferida ao presidente do Senado. Após a publicação oficial, a lei passa a vigorar imediatamente.

Mesmo com a promulgação, juristas avaliam que a matéria poderá ser alvo de questionamentos no STF, que deverá analisar a constitucionalidade das alterações aprovadas pelo Congresso.

A decisão reacende o debate nacional sobre a responsabilização dos envolvidos nos atos antidemocráticos e os critérios de aplicação de penas no país, dando um aval para futuros atos golpistas, independente de quem esteja no comando do País. 

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