sábado, 18 de abril de 2026

Ato de Antônio Coelho em comissão pode levar a investigação por quebra de decoro na Alepe

           Um episódio envolvendo a condução de votações na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) desencadeou uma forte reação entre parlamentares e abriu caminho para possíveis desdobramentos no campo ético e jurídico. No centro da controvérsia está um ato atribuído ao deputado Antônio Coelho, relacionado à interpretação e divulgação de decisões tomadas na Comissão de Finanças da Casa.

A polêmica ganhou força após a circulação de um vídeo da reunião, que, segundo parlamentares presentes, mostraria que apenas um crédito suplementar de R$ 155 milhões destinado ao Tribunal de Justiça de Pernambuco foi discutido e aprovado. No entanto, o deputado sustenta que também teria sido autorizada, na mesma sessão, a possibilidade de remanejamento de até 20% do orçamento estadual — ponto que, de acordo com outros integrantes do colegiado, não foi deliberado.

Deputados como Coronel Feitosa e Diogo Moraes contestam publicamente essa versão, afirmando que não houve votação sobre o remanejamento orçamentário. A divergência entre o que foi registrado em vídeo e a interpretação apresentada pelo parlamentar intensificou o debate sobre a lisura do processo legislativo.

Nos bastidores da Alepe, o caso já é tratado como potencial quebra de decoro parlamentar. Juristas avaliam que, caso fique comprovada a distorção de uma decisão oficial da comissão, o ato pode configurar infração grave às normas da Casa, abrindo caminho para a instauração de processo disciplinar — que, em última instância, pode resultar na cassação do mandato.

A repercussão política também cresce entre deputados que defendem uma resposta institucional firme, com o objetivo de preservar a credibilidade do Legislativo estadual. A pressão por esclarecimentos e eventual investigação formal já mobiliza articulações internas.

O episódio envolve ainda o contexto político da família Coelho. Antônio Coelho é irmão do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, pré-candidato a senador ao lado da governadora Raquel Lyra.

Até o momento, não houve abertura oficial de processo no Conselho de Ética, mas a gravidade das acusações e a repercussão do caso indicam que os desdobramentos devem avançar nos próximos dias, podendo marcar um dos momentos mais delicados da atual legislatura. 

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