sábado, 18 de abril de 2026

Luciano reage a denúncias, descarta renúncia e eleva tom em entrevista contra outros vereadores

                  O cenário político em Arcoverde ganhou novos contornos neste sábado (18), após o presidente da Câmara Municipal, Luciano Pacheco, conceder entrevista à Rádio Independente FM e se posicionar publicamente sobre as denúncias que podem resultar na abertura de um processo por quebra de decoro parlamentar contra ele. A declaração ocorre um dia após outros vereadores se manifestarem sobre o caso e realizarem a sessão extraordinária para criação da Comissão Prévia, ampliando o clima de tensão no Legislativo local.

Durante participação, o parlamentar adotou um tom firme ao negar qualquer irregularidade e afirmar que não pretende renunciar ao cargo. Segundo ele, as acusações apresentadas pela odontóloga Mércia Lira não possuem fundamento jurídico. Pacheco argumenta que não exerce a advocacia atualmente e que os documentos mencionados estariam ligados a processos anteriores, vinculados ao seu escritório antes de assumir a presidência da Casa e seu nome aparece devido ao subestabelecimento feito por ele nos referidos casos.

O vereador também afirmou que sua defesa será conduzida integralmente por sua assessoria jurídica, enquanto ele se concentrará no enfrentamento político do caso. Na entrevista, sugeriu que as denúncias teriam motivação política, associando o episódio ao cenário eleitoral e a articulações envolvendo seu nome em possíveis disputas futuras, pelo fato de ter sido convidado para disputar uma vaga na Câmara Federal pelo MDB, aliado do pré-candidato socialista João Campos.

Outro ponto levantado pelo presidente da Câmara foi a presença significativa de servidores comissionados durante a sessão em que a denúncia foi apresentada, o que, segundo ele, reforçaria a tese de mobilização política nos bastidores feito pelo governo municipal.

A denúncia em tramitação na Câmara prevê a análise de possível quebra de decoro parlamentar, o que pode resultar, caso seja acatada e comprovada, na cassação do mandato. Sobre esse ponto, Luciano Pacheco reagiu com questionamentos e ampliou o debate ao citar outras práticas que, segundo ele, também deveriam ser alvo de investigação dentro do Legislativo.

Sem mencionar nomes, o parlamentar levantou suspeitas sobre situações como supostos casos de nepotismo, cargos fantasmas, “rachadinhas”, abastecimentos fantasmas, empresa de carro agregado que não existia e contratos irregulares envolvendo vereadores e o poder público municipal. Em tom crítico, questionou se essas práticas não configurariam, igualmente, quebra de decoro.

“Será que nada disso é quebra de decoro parlamentar? Então quebra de decoro é o vereador Luciano ser acusado de ter ido fazer um júri?”, questionou.

Elevando ainda mais o nível do embate, o presidente anunciou que pode tornar público um relatório que, segundo ele, reúne informações sobre gestões anteriores da Câmara Municipal. O material, classificado por ele como uma “caixa preta”, fato que vem sendo citado por ele há anos, conteria dados das últimas legislaturas e poderia trazer novos desdobramentos políticos.

“Quem sabe não é a hora da caixa preta ser entregue ao povo”, declarou, sinalizando uma possível escalada na crise institucional.

No dia anterior, os nove vereadores que subscreveram a denúncia afirmaram que o processo seguirá os trâmites legais, com a criação de uma comissão prévia para avaliar a admissibilidade do caso, instalada na sexta-feira (17). Segundo eles, não há julgamento antecipado e todo o procedimento será conduzido dentro dos parâmetros jurídicos, garantindo o direito à ampla defesa, assim como ocorreu com o vereador Claudelino Costa (PSB); caso que está na pauta da sessão ordinária da segunda-feira (20).

O episódio aprofunda a divisão política na Câmara de Arcoverde e deve ter novos capítulos nos próximos dias, à medida que o processo avance e novas informações venham à tona. 

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