Por Djnaldo Galindo*
O
prefeito de Arcoverde tinha em mãos um cenário raro: apoio total do governo
estadual, os 10 vereadores alinhados e a chance de se consolidar como o grande
cabo eleitoral da governadora Raquel Lyra e dos seus candidatos a deputado.
Mas, ao romper com o presidente da Câmara e entregá-lo à oposição, ele cometeu
um erro clássico — e evitável.
Maquiavel
já advertia: o governante nunca deve desprezar aqueles que o sustentam. Ao
tratar como descartável o principal fiador da sua base legislativa, o prefeito
não apenas criou um inimigo dentro de casa, como deu musculatura a uma oposição
que até então era irrelevante.
Pior:
a jogada se vende como “mostrar força”, mas faz exatamente o contrário. Em
política, capital político se mede pela capacidade de manter alianças e
entregar resultados. Criar uma crise institucional às vésperas da eleição só
transmite insegurança — para a governadora, para os candidatos que dependem da
máquina municipal e para os próprios vereadores que agora terão de escolher
lados.
O resultado é o oposto do desejado. Em vez de demonstrar liderança, o prefeito abre uma frente de desgaste desnecessária, entrega um trunfo à oposição estadual e transforma Arcoverde de um feudo seguro em um campo minado. Numa disputa acirrada, fragilizar a própria base não é demonstração de poder — é um tiro no pé.
* Cientista político formado pela UNITER, formado em
História pela AESA, ambientalista, integrante da ONG Coletivo Portal Encantado
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