terça-feira, 24 de março de 2026

Romper com Luciano Pacheco em ano eleitoral: um erro estratégico que vai custar caro

         Por Djnaldo Galindo*

O prefeito de Arcoverde tinha em mãos um cenário raro: apoio total do governo estadual, os 10 vereadores alinhados e a chance de se consolidar como o grande cabo eleitoral da governadora Raquel Lyra e dos seus candidatos a deputado. Mas, ao romper com o presidente da Câmara e entregá-lo à oposição, ele cometeu um erro clássico — e evitável.

Maquiavel já advertia: o governante nunca deve desprezar aqueles que o sustentam. Ao tratar como descartável o principal fiador da sua base legislativa, o prefeito não apenas criou um inimigo dentro de casa, como deu musculatura a uma oposição que até então era irrelevante.

Pior: a jogada se vende como “mostrar força”, mas faz exatamente o contrário. Em política, capital político se mede pela capacidade de manter alianças e entregar resultados. Criar uma crise institucional às vésperas da eleição só transmite insegurança — para a governadora, para os candidatos que dependem da máquina municipal e para os próprios vereadores que agora terão de escolher lados.

O resultado é o oposto do desejado. Em vez de demonstrar liderança, o prefeito abre uma frente de desgaste desnecessária, entrega um trunfo à oposição estadual e transforma Arcoverde de um feudo seguro em um campo minado. Numa disputa acirrada, fragilizar a própria base não é demonstração de poder — é um tiro no pé. 

* Cientista político formado pela UNITER, formado em História pela AESA, ambientalista, integrante da ONG Coletivo Portal Encantado

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