quarta-feira, 4 de março de 2026

Preso na Operação Compliance Zero é encontrado desacordado em cela da PF em Minas Gerais

            A Polícia Federal informou nesta quarta-feira (4) que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, foi encontrado desacordado na cela onde estava custodiado na Superintendência da corporação em Minas Gerais. Segundo a instituição, ele teria atentado contra a própria vida.

De acordo com a PF, agentes que atuavam na unidade iniciaram imediatamente procedimentos de reanimação e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Mourão foi encaminhado ao Hospital João XXIII.

Por volta das 21h, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais informou que não havia confirmação oficial de morte e que o paciente permanecia internado em cuidados intensivos. Às 21h45, o hospital comunicou que estava sendo iniciado o protocolo médico para confirmação de morte encefálica.

A defesa de Mourão divulgou nota afirmando que esteve com ele até aproximadamente 14h do mesmo dia, quando, segundo os advogados, ele se encontrava “em plena integridade física e mental”. A equipe jurídica declarou ter tomado conhecimento do ocorrido apenas após a divulgação do comunicado oficial da Polícia Federal e informou que acompanha o caso no hospital, ressaltando que, até aquele momento, não havia confirmação formal sobre o estado clínico.

Luiz Phillipi Mourão foi preso no âmbito da Operação Compliance Zero, investigação que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Na mesma operação também foi detido o banqueiro Daniel Vorcaro, apontado pela PF como líder de uma organização criminosa estruturada em diferentes núcleos de atuação.

Segundo as investigações, Mourão teria papel estratégico no grupo, sendo responsável por monitoramento de alvos, obtenção ilegal de dados em sistemas sigilosos e práticas de intimidação. Conversas interceptadas, de acordo com a Polícia Federal, indicariam ordens atribuídas a Vorcaro para levantamento de informações pessoais de terceiros, intimidação de funcionários e planejamento de agressão contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.

A Polícia Federal informou que abrirá procedimento interno para apurar as circunstâncias do ocorrido nas dependências da Superintendência em Minas Gerais. Imagens de segurança que registram a dinâmica dos fatos serão encaminhadas ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

O caso acrescenta um novo capítulo à Operação Compliance Zero, que já vinha provocando forte repercussão no sistema financeiro e no meio jurídico. As autoridades afirmam que as apurações seguem em curso. 

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