terça-feira, 17 de março de 2026

Prefeitos de Pernambuco aprovam referência de R$ 350 mil para cachês artísticos

             Em meio aos preparativos para os grandes eventos de 2026, gestores municipais de Pernambuco decidiram estabelecer um parâmetro para os gastos com atrações musicais em festas públicas. Durante reunião realizada nesta terça-feira (17), os prefeitos reunidos pela Associação Municipalista de Pernambuco aprovaram a adoção de um valor de referência de até R$ 350 mil para cachês de artistas.

A proposta foi construída a partir de uma consulta com 149 gestores municipais, dos quais 143 se posicionaram favoravelmente à criação de um balizador de preços. A medida, no entanto, não impõe um limite obrigatório, permitindo que municípios com maior capacidade financeira possam contratar atrações com valores superiores, desde que haja justificativa.

De acordo com levantamento apresentado pela entidade, os dados de 2025 mostram que apenas 1% dos cachês pagos ultrapassaram R$ 600 mil, enquanto a média geral ficou entre R$ 200 mil e R$ 250 mil — números que embasaram a definição do novo parâmetro.

O debate contou com a participação do procurador-geral do Ministério Público de Pernambuco, José Paulo Cavalcante Xavier, que destacou o caráter orientativo da medida. Segundo ele, o objetivo é oferecer segurança jurídica aos gestores e evitar desequilíbrios nas contas públicas, especialmente em períodos de grande investimento cultural.

Além do teto referencial, o MPPE apresentou recomendações adicionais, como a atualização dos valores com base no índice oficial de inflação, o IPCA, tomando como referência os contratos de 2025. A orientação também prevê que eventuais valores superiores sejam devidamente justificados pelas gestões municipais.

Outro ponto discutido foi a importância de separar recursos públicos de eventuais patrocínios privados, que podem ampliar a capacidade de investimento em eventos sem impactar diretamente os cofres municipais.

O presidente da Amupe, Pedro Freitas, reforçou que a iniciativa não retira a autonomia das prefeituras, mas busca promover maior transparência e responsabilidade na aplicação dos recursos.

A medida ocorre em um momento em que festas tradicionais, como os ciclos juninos, ganham cada vez mais relevância econômica e turística, exigindo planejamento e controle dos investimentos por parte das administrações municipais. 

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