A revelação ocorre em meio à divulgação de
informações publicadas pela imprensa, segundo as quais a Maridt está registrada
em um imóvel residencial em Marília, no interior de São Paulo, descrito como
estando em estado precário e sem indícios visíveis de funcionamento
empresarial. A empresa informou à Receita Federal um capital social de R$ 150.
Formalmente, a administração da Maridt é exercida
por familiares do ministro — os irmãos de Toffoli constam como responsáveis
legais pela empresa. O endereço cadastrado corresponde à residência do
engenheiro José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro. Em visita ao local,
reportagem do jornal O Estado de S.Paulo ouviu a esposa de José Eugênio, que
afirmou desconhecer detalhes sobre as atividades da empresa e sobre eventual
ligação com o resort Tayayá.
Na nota divulgada, Toffoli ressalta que sua
participação societária está em conformidade com a legislação vigente. O texto
cita o artigo 36 da Lei Orgânica da Magistratura (Lei Complementar 35/1979),
que permite a magistrados integrar o quadro societário de empresas e receber
dividendos, desde que não exerçam funções de gestão administrativa.
“O ministro Dias Toffoli faz parte do quadro
societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do ministro. De
acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, o magistrado pode integrar o quadro
societário de empresas e delas receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado
praticar atos de gestão na qualidade de administrador”, afirma a nota.
Paralelamente, a Polícia Federal encaminhou ao
gabinete do ministro Edson Fachin, na última segunda-feira (9), um documento
classificado como “informação de polícia judiciária”. O material detalha trocas
de mensagens entre Toffoli e o empresário mineiro Daniel Vorcaro, proprietário
do Banco Master.
De acordo com fontes ouvidas pela imprensa, o
conteúdo reunido no documento poderia embasar pedido de afastamento de Toffoli
da relatoria de processos relacionados ao caso Master no STF. Interlocutores do
ministro afirmam que as referências a pagamentos mencionadas nas conversas
dizem respeito a atividades vinculadas à empresa da qual ele é sócio.
O caso adiciona novos desdobramentos a um cenário que envolve investigações em curso e pode ter reflexos na condução de processos sob análise da Suprema Corte.
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