Sentam-se
no banco dos réus Bernadete de Lourdes Britto Siqueira Rocha, avó paterna de
uma criança e apontada pelo Ministério Público como a suposta mandante do
crime; José Vicente Pereira Cardoso da Silva, ex-diretor da Penitenciária de
Arcoverde, acusado de articular a ação criminosa; e Leandro José da Silva,
detento que teria intermediado, a partir do presídio, o contato entre a
mandante e os executores.
De
acordo com a acusação, o crime teria sido motivado por uma disputa pela guarda
de uma criança, que também estava no veículo no momento da emboscada. A menina
foi ferida durante a ação, mas sobreviveu. A emboscada terminou com a morte
imediata das quatro vítimas adultas.
Embora
os assassinatos tenham ocorrido no município de Poção, no Agreste pernambucano,
o julgamento acontece na Comarca do Recife após o processo de desaforamento,
mecanismo jurídico utilizado para garantir a imparcialidade dos jurados, diante
da comoção e repercussão local do caso.
A
chacina ocorreu na noite de 6 de fevereiro de 2015, no Sítio Cafundó, quando o
carro em que estavam os conselheiros tutelares e a idosa foi interceptado.
Segundo a denúncia, os acusados efetuaram diversos disparos que resultaram na
execução das vítimas ainda no local.
Dos
sete denunciados, parte já recebeu sentença. Em 2024, Wellington Silvestre dos
Santos, preso no Maranhão mais de um ano após o crime, foi condenado a 74 anos
de prisão. Em dezembro do ano passado, outros três acusados foram sentenciados
pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), sendo dois a 101 anos e quatro
meses de prisão por homicídio qualificado, e um a 12 anos e seis meses por
homicídio simples.
O
julgamento desta quarta-feira representa mais um capítulo na tentativa de
responsabilização penal de todos os envolvidos em um crime que mobilizou a
sociedade e expôs a vulnerabilidade de agentes públicos no exercício de suas
funções.
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