sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Auditoria do Ministério da Saúde aguarda documentos sobre repasses a hospital ligado à vice-governadora

            A auditoria aberta pelo Ministério da Saúde para examinar os repasses públicos destinados à Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, enfrenta um impasse: até o momento, o Governo de Pernambuco não encaminhou a documentação solicitada pela equipe técnica responsável pela análise das contas da unidade hospitalar.

O hospital privado tem entre os sócios o marido da vice-governadora Priscila Krause (PSD). A auditoria busca esclarecer se houve favorecimento por meio de aumento de repasses financeiros, celebração de aditivos contratuais e eventual exclusividade na oferta de serviços especializados, como nefrologia.

De acordo com informações apuradas, o governo estadual chegou a solicitar a prorrogação do prazo para apresentação dos documentos, obtendo 20 dias adicionais para prestar esclarecimentos. No entanto, o último prazo expirou na quarta-feira (4/2) sem que os auditores recebessem os dados requisitados.

O caso ganhou dimensão política em meio à polarização estadual. Na última terça-feira, a governadora Raquel Lyra esteve em Brasília, onde se reuniu com o presidente Lula para tratar do assunto. Segundo interlocutores, a gestora classificou a auditoria como uma iniciativa com viés político e tentativa de desgaste administrativo.

A denúncia que originou a investigação teria sido protocolada por um aliado do prefeito do Recife, João Campos (PSB), apontado como principal adversário político da governadora nas próximas disputas eleitorais.

Desde a abertura do procedimento, a apuração passou a ser acompanhada diretamente pelo gabinete do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o que elevou o grau de atenção sobre o caso.

Os números em discussão também são divergentes. A denúncia aponta que, entre 2023 e 2025, o hospital teria recebido cerca de R$ 100 milhões em repasses estaduais — sendo R$ 37 milhões durante períodos em que a vice-governadora esteve no exercício do cargo. Segundo a acusação, teriam ocorrido 25 transferências nessas circunstâncias.

O Governo de Pernambuco contesta os valores. Em nota, afirmou ser “mentirosa” a informação de que o montante tenha alcançado R$ 100 milhões, sustentando que o total repassado no período foi de aproximadamente R$ 67 milhões pelos serviços prestados. Entretanto, até o momento, não foram apresentados documentos detalhados que comprovem a cifra mencionada.

A auditoria segue em andamento, aguardando a documentação oficial para conclusão das análises técnicas.

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