De
acordo com levantamento divulgado, foram contabilizados 128 dias de viagens de
agentes de segurança vinculados ao STF para a localidade onde está situado o
resort. O custo total das diárias pagas com recursos públicos chegou a R$ 460
mil. O dado reforça questionamentos sobre a natureza das estadias e o uso da
estrutura do local por integrantes da Corte.
As
informações surgem após a divulgação, na quinta-feira (22), de um vídeo pelo
portal Metrópoles (abaixo), que registrou um encontro entre Dias Toffoli, o banqueiro André
Esteves, do BTG Pactual, e o empresário Luiz Pastore, proprietário do grupo
metalúrgico Ibrame. As imagens, gravadas em 25 de janeiro de 2023, mostram o
ministro em trajes informais, cumprimentando os empresários em clima
descontraído nos jardins do resort, às margens da represa de Xavantes.
Segundo
a reportagem, o Tayayá é frequentemente utilizado por Toffoli para receber autoridades,
artistas e empresários. Funcionários do empreendimento, ainda conforme a
apuração dos repórteres Valentina Moreira e Sam Pancher, tratariam o ministro
como proprietário do local. O resort, inclusive, já pertenceu a familiares do
magistrado, informação que intensifica as especulações sobre sua relação com o
empreendimento.
O
complexo conta com uma casa de alto padrão reservada ao ministro, além de barco
de uso privativo. O local também teria sido fechado em algumas ocasiões para
eventos privados. Outro ponto sensível revelado pela reportagem é a existência
de um cassino, com máquinas eletrônicas semelhantes a caça-níqueis e mesas de
blackjack — jogos atualmente proibidos pela legislação brasileira.
Em
meio à crescente repercussão, Dias Toffoli avalia a possibilidade de remeter à
primeira instância a investigação relacionada ao Banco Master, que tramita no
STF. A interlocutores, o ministro teria afirmado que a decisão dependerá do
andamento da instrução processual, do relatório final da Polícia Federal e do
parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O inquérito teve prazo prorrogado por mais 60 dias, período considerado decisivo para a realização de diligências e coleta de depoimentos. Nos bastidores do Supremo, há a avaliação de que a redistribuição do caso poderia reduzir o desgaste institucional e afastar o ministro do centro das manchetes.
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