terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Viagem reservada de Raquel Lyra à Costa Rica deixa Pernambuco sem comando formal

            A ausência simultânea da governadora Raquel Lyra (PSD) e da vice-governadora Priscila Krause (PSD) abriu espaço para questionamentos políticos e institucionais em Pernambuco. Desde a última sexta-feira (23), o Estado está, na prática, sem comando formal do Executivo, após a governadora viajar de forma reservada para a Costa Rica, onde participou da posse do jurista Rodrigo Mudrovitsch na Corte Interamericana de Direitos Humanos.

A viagem não foi registrada na agenda oficial do Governo de Pernambuco e, segundo informações apuradas, nem mesmo parte da equipe mais próxima da gestora tinha conhecimento do compromisso internacional. Acompanhou Raquel Lyra apenas o secretário da Casa Civil, Túlio Vilaça. Ao mesmo tempo, a vice-governadora Priscila Krause encontra-se de férias em Porto, Portugal.

A decisão de manter a viagem fora da agenda institucional teria motivação política. O objetivo seria evitar a necessidade de transmissão temporária do comando do Estado ao presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), deputado Álvaro Porto (PSDB), que integra a oposição ao governo e mantém proximidade política com o prefeito do Recife, João Campos (PSB).

Pelas regras constitucionais, na ausência simultânea da governadora e da vice, o presidente da Alepe deve assumir interinamente o comando do Executivo estadual. A não formalização da agenda internacional de Raquel Lyra, portanto, levantou críticas nos bastidores políticos sobre transparência e respeito à institucionalidade.

A cerimônia de posse de Rodrigo Mudrovitsch ocorreu no domingo (26) e reuniu autoridades de destaque no cenário nacional, como o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), a ministra Gleisi Hoffmann (PT) e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin. Mudrovitsch assumiu a presidência da Corte Interamericana de Direitos Humanos para um mandato de dois anos, tendo como vice a magistrada chilena Patrícia Pérez Goldenberg.

A Corte IDH é um órgão vinculado à Organização dos Estados Americanos (OEA) e tem a atribuição de julgar casos de graves violações de direitos humanos cometidas por países do continente. Entre os processos atualmente em análise está o caso que investiga a morte de 96 bebês em uma clínica pediátrica em Cabo Frio, no Rio de Janeiro.

O retorno da governadora Raquel Lyra ao Brasil está previsto para esta terça-feira (27). Até o momento, o Palácio do Campo das Princesas não se manifestou oficialmente sobre a ausência de divulgação da viagem.


👉 Acompanhe mais notícias e curta nossas redes sociais:

📸 Instagram   👍 Facebook

Nenhum comentário:

Postar um comentário