Ratinho
Jr. adotou um discurso cauteloso, mas deixou claro que está disposto a assumir
o desafio, desde que a decisão seja fruto de uma construção coletiva. Segundo
ele, a definição do candidato do PSD não deve se basear em projetos pessoais,
mas na capacidade de apresentar um projeto político capaz de dialogar com o
país e reduzir o clima de polarização.
“Mais do que nomes, é projeto. É quem vai ter a
capacidade de liderar um novo projeto para o Brasil. Se meu nome for esse nome
escolhido internamente, eu fico muito honrado e, obviamente, vou aceitar o
desafio. Mas isso é algo que precisa ser construído dentro do partido”, afirmou o governador.
O
discurso foi reforçado pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, que
voltou a apontar Ratinho Jr. como o principal nome da sigla para a sucessão
presidencial. Kassab, no entanto, ponderou que o partido também avalia outra
alternativa: o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que se filiou ao
PSD em maio de 2025 após deixar o PSDB.
A
possível candidatura presidencial de Ratinho Jr. não tem impacto apenas no
cenário nacional. Ela também provoca efeitos diretos nos estados, especialmente
em Pernambuco, onde o PSD governa com Raquel Lyra à frente do Executivo
estadual.
E
como fica Raquel Lyra?
Caso
o PSD confirme Ratinho Jr. como candidato ao Planalto, a governadora Raquel
Lyra tende a ocupar papel estratégico na campanha presidencial no Nordeste.
Como uma das principais lideranças do partido na região, ela passa a ser vista
como aliada-chave na articulação política e eleitoral, sobretudo em um estado
historicamente decisivo nas eleições nacionais.
No
entanto, o movimento também impõe desafios. Raquel governa Pernambuco em um
cenário político plural, com alianças que extrapolam o PSD. Um eventual
alinhamento formal à candidatura de Ratinho Jr. exigirá equilíbrio para
preservar sua base local, dialogar com forças que hoje orbitam o governo
estadual e, ao mesmo tempo, se posicionar no debate nacional onde ela tenta colar
sua imagem à Lula (PT).
Enquanto o PSD amadurece sua decisão, o movimento sinaliza que a eleição presidencial começa a se desenhar muito antes do calendário oficial, com reflexos diretos nos estados e na reorganização das forças políticas regionais.
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