terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Prefeitos do Pajeú alertam para altos cachês e defendem regras para garantir festas juninas

                  A escalada nos valores cobrados por artistas e produtoras para apresentações no período junino acendeu um sinal de alerta entre prefeitos do Sertão do Pajeú. Gestores municipais avaliam que os cachês elevados, somados aos custos crescentes de estrutura, ameaçam a realização dos tradicionais festejos, sobretudo nas cidades de pequeno porte, que enfrentam orçamentos mais limitados.

O debate ganhou repercussão após declarações do presidente do CIMPAJEÚ (Consórcio de Integração dos Municípios do Pajeú) e prefeito de Ingazeira, Luciano Torres (PSB). O consórcio reúne 17 municípios do Pajeú e outros quatro da região do Moxotó.

Em entrevista ao radialista Marcello Patriota, no programa Giro Pelos Blogs, da Rádio Cultura FM 94,7, de São José do Egito, nesta terça-feira (27), Luciano Torres destacou a disparidade nos valores praticados pelo mercado artístico e o impacto direto nos cofres públicos.

Segundo o gestor, além dos cachês, despesas com palcos, sonorização, iluminação e logística vêm aumentando de forma significativa, tornando inviável, em alguns casos, a contratação de atrações de maior porte.

“A criação de um tabelamento ou de parâmetros de referência pode trazer mais equilíbrio e segurança às administrações municipais. Já estamos articulando, junto ao presidente da Amupe, Marcelo Gouveia, uma reunião com o Ministério Público, Tribunal de Contas do Estado e outros órgãos para alinhar esse entendimento. Talvez seja o momento de criar uma tabela, principalmente para os municípios menores. Acho que está na hora de tabelar”, afirmou Luciano.

A preocupação também foi reforçada pelo prefeito de Brejinho, Gilson Bento, que informou que o tema já mobiliza um número expressivo de gestores em Pernambuco. Segundo ele, cerca de 115 prefeitos discutem a adoção de critérios mais claros e transparentes para a contratação de artistas durante o ciclo junino.

Bahia – Prefeitos de diversos municípios da Bahia têm expressado forte insatisfação com os altos cachês cobrados por artistas, especialmente para as festas de São João e grandes eventos como a Micareta de Feira, no início de 2026. Gestores alertam que os valores elevados podem comprometer a saúde financeira das cidades e tornaram a realização dos festejos insustentável para municípios de pequeno porte. 

Em Feira de Santana, o prefeito José Ronaldo desistiu de contratar Bell Marques para a abertura da Micareta 2026 após o cachê subir para R$ 1,2 milhão, afirmando que "não assinaria" um pagamento desse valor.


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