sábado, 17 de janeiro de 2026

Moraes abre novo inquérito no STF para investigar suposto vazamento de dados fiscais de ministros

              O Supremo Tribunal Federal (STF) voltou ao centro de uma controvérsia institucional após o ministro Alexandre de Moraes determinar a abertura de um novo inquérito para apurar o suposto vazamento de dados fiscais de integrantes da própria Corte. A investigação busca esclarecer se informações sigilosas teriam sido indevidamente acessadas e divulgadas por meio de órgãos federais como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e a Receita Federal.

O inquérito será relatado pelo próprio Moraes e foi instaurado sem provocação da Procuradoria-Geral da República (PGR) ou da Polícia Federal (PF) — procedimento considerado incomum, embora amparado pelo Regimento Interno do Supremo. A apuração tramita sob sigilo.

A existência da investigação foi revelada inicialmente pelo portal Poder360 e confirmada pela Agência Brasil. Segundo as informações divulgadas, a medida ocorre após reportagens apontarem possíveis conexões entre familiares de ministros do STF e o Banco Master, instituição financeira envolvida em um escândalo de fraude e que já é alvo de investigação no âmbito da Suprema Corte.

Entre os fatos revelados pela imprensa, consta a informação de que irmãos e primos do ministro Dias Toffoli teriam negociado a venda de participação em um resort localizado no Paraná a um fundo ligado ao empresário Fabiano Zettel. Zettel é cunhado e sócio de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel já foram alvos de mandados de busca e apreensão, além de prisões temporárias, no inquérito que apura irregularidades envolvendo a instituição financeira. Esse procedimento também tramita no STF, sob relatoria do próprio ministro Dias Toffoli.

Outro ponto que intensificou o debate público foi a revelação feita pelo jornal O Globo, em dezembro, de que o escritório de advocacia administrado por Viviane Barci — esposa do ministro Alexandre de Moraes — firmou um contrato de aproximadamente R$ 129 milhões para prestar serviços jurídicos ao Banco Master, antes da deflagração do escândalo de fraude financeira.

Diante das informações divulgadas pela imprensa, Moraes passou a levantar a suspeita de que dados fiscais sigilosos de ministros do STF possam ter sido vazados a partir de estruturas internas do Coaf ou da Receita Federal, motivando a abertura do novo inquérito. Com informações da Agência Brasil. 

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