Silvano
Gersztel, ex-braço direito de João Carlos Mansur — fundador e ex-CEO da REAG —,
é apontado pelos investigadores como peça-chave na estruturação de fundos de
investimento que teriam sido usados para dar aparência de legalidade a recursos
de origem criminosa. Desde agosto deste ano, ele passou a ser formalmente
investigado por sua participação direta nesses fundos.
Em
setembro de 2021, dois fundos administrados pela REAG — Arleen e Leal —, ambos
representados por Gersztel, adquiriram parte da participação de familiares do
ministro Dias Toffoli no Resort Tayayá. O valor da transação foi de R$ 20
milhões, segundo revelação do jornal O Estado de S.Paulo, em apuração conduzida
pelo repórter Luiz Vassalo e equipe.
Documentos
da Junta Comercial do Paraná e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM)
confirmam a operação e reforçam a atuação de Gersztel como representante legal
de dezenas de CNPJs ligados à REAG. Essas estruturas jurídicas eram utilizadas
pela empresa para administrar fundos que agora estão sob investigação das
autoridades.
Chama
atenção o fato de parte desses fundos ter recebido nomes de personagens da
animação infantil Frozen, da Disney, como Hans 95, Olaf 95 e Anna FIDC. Segundo
os investigadores, a nomenclatura escondia estruturas utilizadas para
movimentar o chamado “dinheiro frio”, expressão usada para recursos de origem
ilegal.
Na
época da compra da fatia do resort, os fundos Arleen e Leal tinham como único
cotista o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro,
proprietário do Banco Master. A relação entre os personagens reforça a
complexidade da rede financeira sob apuração.
Posteriormente,
o Resort Tayayá acabou sendo transferido para o controle do advogado goiano
Paulo Humberto Barbosa, sócio e representante da J&F, holding dos irmãos
Joesley e Wesley Batista. Em 2023, a J&F foi beneficiada por uma decisão do
ministro Dias Toffoli que suspendeu o pagamento de uma multa bilionária
aplicada à empresa, o que reacendeu o debate público sobre conflitos de
interesse e a necessidade de transparência institucional.
O caso segue sob investigação e amplia o debate nacional sobre governança, fiscalização do mercado financeiro e os limites entre negócios privados e o poder público.
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