domingo, 18 de janeiro de 2026

Investigação sobre lavagem de dinheiro revela elo entre fundos suspeitos e familiares de ministro do STF

                Uma investigação que avança sobre o sistema financeiro brasileiro lança luz sobre conexões sensíveis entre o mercado de investimentos, suspeitas de lavagem de dinheiro ligada ao crime organizado e familiares de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). No centro do caso está a compra de parte do Resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, no Norte Pioneiro do Paraná, por fundos administrados pela gestora REAG, intermediados por um executivo atualmente investigado por suposta atuação em favor da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Silvano Gersztel, ex-braço direito de João Carlos Mansur — fundador e ex-CEO da REAG —, é apontado pelos investigadores como peça-chave na estruturação de fundos de investimento que teriam sido usados para dar aparência de legalidade a recursos de origem criminosa. Desde agosto deste ano, ele passou a ser formalmente investigado por sua participação direta nesses fundos.

Em setembro de 2021, dois fundos administrados pela REAG — Arleen e Leal —, ambos representados por Gersztel, adquiriram parte da participação de familiares do ministro Dias Toffoli no Resort Tayayá. O valor da transação foi de R$ 20 milhões, segundo revelação do jornal O Estado de S.Paulo, em apuração conduzida pelo repórter Luiz Vassalo e equipe.

Documentos da Junta Comercial do Paraná e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) confirmam a operação e reforçam a atuação de Gersztel como representante legal de dezenas de CNPJs ligados à REAG. Essas estruturas jurídicas eram utilizadas pela empresa para administrar fundos que agora estão sob investigação das autoridades.

Chama atenção o fato de parte desses fundos ter recebido nomes de personagens da animação infantil Frozen, da Disney, como Hans 95, Olaf 95 e Anna FIDC. Segundo os investigadores, a nomenclatura escondia estruturas utilizadas para movimentar o chamado “dinheiro frio”, expressão usada para recursos de origem ilegal.

Na época da compra da fatia do resort, os fundos Arleen e Leal tinham como único cotista o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A relação entre os personagens reforça a complexidade da rede financeira sob apuração.

Posteriormente, o Resort Tayayá acabou sendo transferido para o controle do advogado goiano Paulo Humberto Barbosa, sócio e representante da J&F, holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista. Em 2023, a J&F foi beneficiada por uma decisão do ministro Dias Toffoli que suspendeu o pagamento de uma multa bilionária aplicada à empresa, o que reacendeu o debate público sobre conflitos de interesse e a necessidade de transparência institucional.

O caso segue sob investigação e amplia o debate nacional sobre governança, fiscalização do mercado financeiro e os limites entre negócios privados e o poder público. 

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