De
acordo com documentos oficiais, a escritura de venda de um imóvel localizado em
Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, foi assinada no dia 30 de dezembro, exatamente
11 dias depois da apreensão do dinheiro, ocorrida em 19 de dezembro, durante
cumprimento de mandado de busca e apreensão no âmbito de investigação que apura
suposto desvio de recursos das cotas parlamentares.
Sóstenes
afirmou que o dinheiro apreendido seria fruto da venda do imóvel, realizada,
segundo ele, em 24 de novembro, por meio de um contrato particular firmado com
o comprador. O deputado alegou ainda que manteve os valores em casa por não ter
tido tempo de realizar o depósito bancário. O contrato particular citado pelo
parlamentar é mencionado na escritura lavrada em dezembro, mas não consta entre
os documentos apresentados ao tabelião no ato do registro.
A
escritura apresenta ainda cláusulas consideradas atípicas para esse tipo de
transação. O imposto de transmissão do imóvel não foi recolhido previamente e
houve dispensa da apresentação de certidões fiscais municipais do imóvel, além
de certidões cíveis e criminais do vendedor junto ao Tribunal de Justiça do Rio
de Janeiro.
O
imóvel foi vendido por R$ 500 mil, valor que teria sido pago integralmente em
dinheiro vivo. O comprador é o advogado Thiago de Paula, com atuação em Minas
Gerais e São Paulo. Procurado, ele não respondeu aos questionamentos da
reportagem.
A
operação também chamou atenção pela valorização do imóvel. Segundo a escritura,
Sóstenes adquiriu a casa por R$ 280 mil em fevereiro de 2023, o que representa
uma valorização de 78% em menos de dois anos. O deputado, no entanto, afirma
que o valor real pago foi de R$ 310 mil, incluindo comissão de corretagem, e
atribui o aumento de preço a reformas realizadas no imóvel, que chegou a ser
anunciado por R$ 690 mil.
Ainda segundo o parlamentar, o dinheiro da venda foi entregue em Brasília por um funcionário do comprador. Antes de adquirir o imóvel, Sóstenes havia declarado à Justiça Eleitoral, em 2022, um patrimônio de apenas R$ 4.926,76, integralmente depositado em conta bancária. Ele afirma que utilizou um empréstimo consignado para comprar o imóvel em Ituiutaba. A investigação tramita no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Flávio Dino.
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