sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Empresa ligada à família da governadora recebeu recursos públicos mesmo operando sem vistorias

             A atuação da Logo Caruaruense, empresa de transporte vinculada à família da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), voltou ao centro do debate público após a revelação de que a companhia recebeu R$ 105,2 mil em recursos públicos entre 2023 e 2025, mesmo operando em situação considerada irregular no estado. A responsabilidade pela fiscalização do setor cabe justamente ao Governo de Pernambuco, comandado pela própria governadora.

Segundo dados do Portal da Transparência do Estado, os valores pagos à empresa referem-se a auxílio-transporte de servidores públicos, com repasses realizados por órgãos estaduais como o Consórcio de Transportes da Região Metropolitana do Recife (CTM) e o Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA). Os pagamentos ocorreram por meio de empenhos diretos, sem registro de processo licitatório, ao longo dos anos de 2023, 2024 e 2025 — período já sob a gestão de Raquel Lyra.

A Logo Caruaruense é administrada pelos pais da governadora, o ex-governador João Lyra Neto e Mércia Lyra. Raquel Lyra integrou o quadro societário da empresa até 2018, antes de assumir cargos eletivos. De acordo com registros administrativos, as últimas vistorias obrigatórias da frota foram realizadas em 2022, o que contraria exigências legais para garantir a segurança dos passageiros.

Imagens divulgadas pelo portal Metrópoles mostram veículos em estado avançado de desgaste, reforçando questionamentos sobre as condições da frota utilizada no transporte de servidores públicos. Mesmo assim, os empenhos registrados foram integralmente liquidados e pagos, sem qualquer indicação de concorrência pública ou chamamento licitatório.

As descrições dos serviços apontam que a empresa realizava o transporte de servidores residentes em municípios como Caruaru, com deslocamentos tanto para a Região Metropolitana do Recife quanto para o interior do estado.

Após a repercussão dos casos na imprensa e um silêncio que se estendeu por cerca de três anos, a governadora Raquel Lyra afirmou, durante uma coletiva de imprensa, que seu pai decidiu encerrar as atividades da empresa. O anúncio ocorreu em meio à intensificação das críticas e ao questionamento público sobre possíveis conflitos de interesse e falhas na fiscalização estadual.

O caso segue gerando repercussão política e institucional, levantando discussões sobre transparência, controle público e a necessidade de rigor na fiscalização de empresas que operam serviços de transporte financiados com recursos do Estado. Do Metrópoles

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