sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

CNM reage a novo reajuste do piso do magistério e alerta para impacto bilionário nos cofres municipais

               O anúncio de um novo reajuste para o piso nacional do magistério reacendeu o embate entre o governo federal e os gestores municipais. Oficializado nesta quarta-feira (21) por meio da Medida Provisória nº 1.334/2026, o aumento de 5,4% foi duramente criticado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), que classificou a medida como “oportunista e eleitoreira”.

Com o reajuste, o piso salarial dos professores da rede pública com jornada de 40 horas semanais passará de R$ 4.867,77 para R$ 5.130,63, com validade em todo o território nacional. Segundo estimativas da CNM, a decisão pode gerar um impacto de até R$ 8 bilhões nas contas dos municípios brasileiros.

Em nota oficial, o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, criticou a mudança no critério de cálculo do reajuste e apontou incoerência por parte do governo federal. Para ele, a edição da MP ocorre justamente em um momento em que o índice apontava um reajuste mínimo de 0,37%, contrastando com aumentos expressivos registrados em anos anteriores.

“É inaceitável que, após anos de silêncio diante de reajustes elevados e ilegais — como os de 33,24% em 2022 e de 14,95% em 2023 —, agora, quando o índice sinaliza 0,37%, o governo federal se mobilize para editar uma MP sob o argumento de ‘injustiça’ no cálculo”, afirmou Ziulkoski.

Ainda segundo a CNM, reajustes reais nos vencimentos dos profissionais da educação devem ser fruto de negociação direta entre municípios e professores, respeitando as condições fiscais, orçamentárias e os limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

A entidade também voltou a defender que o reajuste do piso seja baseado no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do ano anterior, conforme previsto no Projeto de Lei nº 3.776/2008, de autoria do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O projeto chegou a tramitar em caráter terminativo na Câmara dos Deputados, mas teve o status retirado e aguarda votação em plenário.

A CNM conclui que decisões unilaterais, sem diálogo com os entes municipais, acabam transferindo responsabilidades financeiras aos municípios, muitos dos quais já enfrentam severas dificuldades para manter o equilíbrio fiscal. 

👉 Acompanhe mais notícias e curta nossas redes sociais:

📸 Instagram   👍 Facebook

Nenhum comentário:

Postar um comentário