quinta-feira, 13 de novembro de 2025

TRE-PE mantém inelegibilidade de Delegado Rossine e mais três por abuso de poder e desinformação em Pesqueira

                  O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) manteve, por unanimidade, na sessão plenária desta quarta-feira (13), a decisão que declarou a inelegibilidade por oito anos de quatro pessoas envolvidas na campanha eleitoral de Pesqueira, no Agreste, em 2024. Entre os condenados está o ex-candidato a prefeito Rossine Blesmany, conhecido como Delegado Rossine. O relator do processo foi o desembargador Paulo Machado Cordeiro. O julgamento tratou do processo nº 0600531-49.2024.6.17.0055, e ainda cabe recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A decisão confirmou que os investigados praticaram abuso do poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação, mediante disseminação de notícias falsas, deepfakes, programas e lives com conteúdo eleitoral, além da realização de evento com estrutura compatível com showmício — o que, segundo o relator, quebrou a igualdade de oportunidades entre os candidatos.

Foram declarados inelegíveis por oito anos:

Rossine Blesmany, ex-candidato a prefeito;

José Alexandre de França Ferreira, proprietário da TV Pesqueira;

Cleiton Correia Mendonça, administrador do perfil “Direita Pesqueira”;

Francisco Damião Lopes da Silva, apresentador de lives.

O pedido de inelegibilidade do então candidato a vice-prefeito, José Maria da Silva Campos, foi rejeitado por falta de provas de participação direta nas irregularidades.

Segundo o voto do relator, o caso revelou uma estratégia coordenada de desinformação, com o uso articulado de redes sociais, programas e grupos de mensagens para atacar adversários e influenciar o eleitorado. A decisão citou vídeos, prints e gravações que comprovaram a repetição e intensidade das ações.

O desembargador Paulo Machado Cordeiro destacou em seu voto trechos da sentença de 1º grau, que individualizou as condutas dos envolvidos. Conforme o acórdão, Rossine Blesmany foi o “principal beneficiário e articulador das condutas”, participando de programas como “Café com o Delegado”, publicando fake news em suas redes, promovendo showmício disfarçado e acompanhando de perto a estrutura montada para a campanha.

José Alexandre, dono da TV Pesqueira, forneceu toda a estrutura técnica e operacional para a veiculação dos conteúdos, enquanto Cleiton Mendonça gerenciava o perfil “Direita Pesqueira”, difundindo desinformação e ataques. Já Francisco Damião apresentava as lives “Pesqueira Nua e Crua”, onde também propagava informações falsas.

Além da desinformação, o tribunal apontou uso indevido de recursos financeiros e gastos não declarados, como a contratação de artistas para eventos de grande porte na reta final da campanha — o que caracterizou abuso de poder econômico. Houve ainda o registro de multas por descumprimento de decisões judiciais durante o processo.

A Procuradoria Regional Eleitoral defendeu a manutenção das sanções, reforçando o risco que a desinformação representa para a lisura do processo democrático.

Com a decisão, os condenados permanecem inelegíveis até 2032, ficando impedidos de disputar qualquer cargo eletivo nesse período. O julgamento encerra a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que tramitava na 55ª Zona Eleitoral de Pesqueira. 

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